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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fábulas



A LEBRE E A TARTARUGA
Uma lebre vangloriava-se de sua rapidez, perante os outros animais:
— Nunca perco de ninguém. Desafio a todos aqui a tomarem parte numa corrida comigo.
— Aceito o desafio! Disse a tartaruga calmamente.
— Isto parece brincadeira. Poderia dançar à sua volta, por todo o caminho, respondeu a lebre.
A um sinal dado pelos outros animais, as duas partiram. A lebre saiu a toda velocidade.
Mais adiante, para demonstrar seu desprezo pela rival, deitou-se cochilou. A tartaruga continuou
avançando, com muita perseverança. Quando a lebre acordou, viu-a já pertinho do ponto final e não teve tempo de correr, para chegar primeiro.

Moral da história: Com perseverança tudo se alcança.
Esopo

A GANSA QUE PUNHA OVOS DE OURO
Uma cabra e um asno comiam ao mesmo tempo no estábulo. A cabra começou a invejar o asno porque acreditava que ele estava mais bem alimentado, e lhe disse:
— Tua vida é um tormento inacabável. Finge um ataque e deixa-te cair num fosso para que te dêem umas férias.
Aceitou o asno o conselho, e deixando-se cair, machucou todo o corpo.
Vendo-o amuado, chamou o veterinário e lhe pediu um remédio para o pobre. Prescreveu o curandeiro que necessitava uma infusão com o pulmão de uma cabra, pois era muito eficiente para devolver o vigor. Para isso então degolaram a cabra e assim curaram o asno.

Moral da história: Em todo plano de maldade, a vítima principal sempre é seu próprio criador.
Esopo

A Raposa e a Serpente
Havia uma figueira à margem de um caminho. Uma raposa viu junto a ela uma serpente adormecida. Vendo aquele corpo tão largo, e pensando em igualá-lo, se deitou à raposa no chão, ao lado da serpente, e tentou estirar-se o quanto pôde, até que por fim, de tanto esforço, rebentou-se.

Moral da história: Não imites os maiores se não tens condições de fazê-lo.
Esopo

A Gata e Afrodite
Uma gata que se apaixonara por um fino rapaz pediu a Afrodite para transformá-la em mulher. Comovida por tal paixão, a deusa transformou o animal numa bela jovem. O rapaz a viu, apaixonou-se por ela e a desposou.
Para ver se a gata havia se transformado completamente em mulher, Afrodite colocou um camundongo no quarto nupcial.
Esquecendo onde estava, a bela criatura foi logo saltando do leito e pôs-se a correr atrás do ratinho para comê-lo. Indignada, a deusa fê-la voltar ao que era.

Moral da história: O perverso pode mudar de aparência, mas não de hábitos.
Esopo

A Raposa e o Lenhador
Uma raposa era perseguida por uns caçadores, quando viu um lenhador e suplicou que ele a escondesse. O homem então lhe aconselhou que entrasse em sua cabana.
De imediato chegaram os caçadores, e perguntaram ao lenhador se havia visto a raposa.
Com a voz ele disse que não, mas com sua mão disfarçadamente mostrava onde havia se escondido.
Os caçadores não compreenderam os sinais da mão e se confiaram no que disse com as palavras.
A raposa, ao vê-los irem, saiu sem dizer nada.
O lenhador a reprovou porque, apesar de tê-la salvo, não agradecera, ao que a raposa respondeu:
— Agradeceria se tuas mãos e tua boca tivessem dito o mesmo.

Moral da história: Não negues com teus atos, o que pregas com tuas palavras.
Esopo

O ADIVINHO
Acomodado em uma praça pública, um adivinho se ocupava em seu ofício. De repente aproximou-se dele um homem, avisando que as portas de sua casa estavam abertas e que haviam roubado tudo o que havia em seu interior. Levantou-se em um salto e correu, desengonçado e suspirando, para ver o que havia acontecido. Um dos que ali se encontravam, vendo-o correr lhe disse:
— Olhe, amigo! Tu que dizes prever o que ocorrerá aos outros, por que não previu o que se sucederia a ti?

Moral da história: Sempre há pessoas que pretendem controlar o que não lhes corresponde, mas não conseguem administrar suas próprias coisas.
Esopo

O camelo, o elefante e o macaco
Votavam os animais para eleger um rei. O camelo e o elefante se puseram a disputar os votos, já que esperavam ser preferidos por causa de seu tamanho e sua força. Porém, chegou o macaco e os declararam incapazes de reinar.
— O camelo não serve - disse - porque não se encoleriza contra os bandidos e o elefante tampouco nos serve porque teremos de temer o ataque do marrano, animal a quem teme o elefante.

Moral da história: A maior fortaleza sempre se mede no ponto mais fraco.
Esopo

O cão dorminhoco e o lobo
Como estava dormindo à porta de um estábulo, um cão foi surpreendido por um lobo que se lançou sobre ele, pronto para devorá-lo. Mas o cão lhe pediu para adiar o sacrifício:
— Agora - disse ele - estou raquítico e doente. Mas espera um pouco, meus donos estão para comemorar suas núpcias; comerei muito e, bem gordinho, serei para ti um prato delicioso.
O lobo acreditou nele e se foi. Alguns anos depois, ele voltou e viu que o cão estava dormindo no andar de cima da casa. De baixo, ele chamou:
— Lembras de mim - disse ele - daquilo que combinamos?
O cão então falou:
— Ô seu lobo, quando me vires de agora em diante dormir diante do estábulo, não esperes mais as núpcias.

Moral da história: Uma vez salvo do perigo, o homem sensato se previne para sempre.
Esopo

O camponês e os cães
Um camponês ficou preso em seu estábulo pela tempestade. Como não podia sair para procurar alimento, começou a comer seus carneiros. Como a tempestade continuasse, devorou as cabras. No terceiro dia, como não houvesse melhora, matou os bois de arado. Vendo-o agir assim, os cães falaram entre si:
— Vamos embora, pois se o nosso dono não hesitou em matar os bois, por que iria nos poupar?
Moral da história: Resguardemo-nos de quem não hesita em fazer o mal a seus próximos.
Esopo

LOBO EM PELE DE CORDEIRO
Um dia, o lobo teve a idéia de mudar sua aparência para conseguir comida de uma forma mais fácil. Então, vestiu uma pele de cordeiro e saiu para pastar com o resto do rebanho, despistando totalmente o pastor. Para sua sorte, ao entardecer, foi levado junto com todo o rebanho para um celeiro. Durante a noite, o pastor foi buscar um pouco de carne para o dia seguinte. Chegando no celeiro, puxou a primeira ovelha que encontrou. Era o lobo fingindo ser um cordeiro.

Moral da história: Sempre que enganamos os outros, pagamos pelo nosso erro logo em seguida.
Esopo

A reunião geral dos Rato
Há muito tempo, em uma fazenda, um gato, ótimo caçador de ratos, andava fazendo um grande estrago entre a rataria. Caçava tantos ratos que os sobreviventes estavam quase morrendo de fome, pois tinham muito medo de sair de suas tocas.
Como o problema havia atingido grandes proporções, os ratos resolveram marcar uma assembléia para tentar encontrar uma saída.
Esperaram uma noite em que o gato dormiu profundamente no topo da chaminé e reuniram-se no celeiro. A apreensão era grande, todos estavam nervosos, mas um rato teve uma idéia e falou:
— A melhor maneira de nos defendermos é pendurarmos um sino no pescoço do gato.
Assim, quando ele se aproximar, escutaremos o sino e teremos tempo para fugir.
Foi uma grande festa. Todos adoraram a idéia e aprovaram com aplausos. Mas um rato mais velho, que estava em cima de um saco de milho, pediu a palavra e disse:
— A idéia é muito boa... é boa sim, mas... Quem é que vai pendurar o sino no pescoço do gato?
Silêncio geral. Um a um, os ratos foram se retirando, e acabou-se a assembléia geral dos ratos.

Moral da história: Falar é fácil, fazer é difícil!
Esopo, Adaptação de Monteiro Lobato

Continuação LITERATURA INFANTIL - Os gêneros literários

Conto de fadas
O conto de fadas caracteriza-se pela instauração de um universo próprio, regido por normas que apresentam um distanciamento e uma ruptura com a ordem natural.Dotado de um caráter mágico que o liberta das limitações e contingências do mundo concreto, seres e situações pertencem ao plano do maravilhoso, da verdade ilógica aceita sem surpresa ou hesitação. O “Era uma vez...” com que tem início à quase totalidade dos relatos coloca-o sob uma perspectiva de verdades simbólicas, perdendo os fatos e os seres sua logicidade e adquirindo o fantástico, o absurdo e o impossível, características de realidade, veracidade e a fórmula encantatória. “E foram felizes para sempre...” intensifica o caráter de sonhos do conto de fadas com a solução de todos os conflitos e a realização de todos os anseios.
Atualmente, ao lado das clássicas histórias de princesas, bruxas e varas-de-condão, surgem um novo conto de fadas, rompendo com o determinismo e a estatização de personagens das fadas tradicionais. Desmistificando o manual de mágicas, propõe uma nova forma de apreensão do mundo por meio da mescla de fantasia e questionamento da realidade.




Fábula
A fábula é uma alegoria da condição humana. Relato curto, freqüentemente em versos, expressa uma sabedoria popular, um imediatismo moral e político, produto de um determinado contexto histórico. Apresentada sob uma aparente finalidade lúdica encerra uma filosofia moralista expressa na crítica de caracteres e costumes humanos.
Seres do mundo zoológico que falam, agem e pensam são seus personagens centrais. Participantes de um jogo onde sempre prevalece, a força, a violência, a astúcia, caracterizam-se os animais por traços distintivos constantes e por formas padronizadas de comportamento: laboriosidade da formiga, imprevidência da cigarra, sagacidade da raposa e outros.
Um conflito entre personagens antagônicas determina a ação e conduz o desfecho.
Popularizada por meio de Esopo e Fedro, encontrou a fábula sua maior expressão em La Fontaine. Modernamente destacaram-se como fabulistas Walt Disney e Monteiro Lobato. Disney
apresentando animais em seu habitat natural e Lobato instaurando a ética de situação deram nova perspectiva ao gênero, libertando-o do moralismo e pedagogismo das fábulas tradicionais.


Contos
O conto de aventura fundamenta-se na fantasia. Esta, ao contrário do que ocorre no conto de fadas, aproxima-se da realidade imediata. É o mundo material ou um cosmo imaginário possível de concretização, o ponto de partida dos relatos em busca do aventuresco, do exótico e do inusitado.
O texto narrativo caracteriza-se na prevalência da ação, na ação, no desenvolvimento rápido e dinâmico dos fatos e acontecimentos. Motivo único e central, encadeamento de episódios, seqüência cronológica, suspense, humor e final determinado são elementos essenciais num texto infantil. Idéias abstratas, enredos complexos e intrincados, recuos ou desvios no tempo, inexatidão de espaços escapam à compreensão da criança, dificultando o entendimento e acompanhamento da intriga.
Reconhecendo a importância da leitura e a escolha dos gêneros literários, as sugestões a seguir, foram selecionadas com o objetivo de auxiliar o trabalho do professor em sua prática pedagógica, ampliando o acervo de textos narrativos, contos e fábulas.

Literatura infantil

Como sou formada em Letras, não aguento ver um bom texto sobre Literatura e não guardar. Este foi enviado ao grupo pela Silvia R.C.




A literatura tem funções diversas e se presta a diferentes usos. O motivo básico de as pessoas lerem obras literárias, no entanto, é a procura do prazer.Esse prazer manifesta-se primeiramente como entretenimento. Mas a Literatura é diferente de outras formas de diversão.
Quando se trata de um grande texto o que o leitor nunca consegue é o mero “ escapismo” .O grande texto sempre deixa sua marca no leitor. Ninguém lê uma grande obra sem ser afetado por ele em algum nível ou algum aspecto. A primeira marca que a literatura deixa é a do crescimento interior. Isto ocorre porque a literatura nos propicia uma das formas mais espetaculares de conhecimento do homem. Por meio dela, percebemos a complexidade que nos caracteriza como seres humanos, nossas ambigüidades e nossos paradoxos.
A Literatura , em todas as suas formas, inclusive a infantil, não se presta apenas a fornecer conhecimento . Ela se presta , fundamentalmente , ao ensino da linguagem oral e escrita. Em primeiro lugar, nas fases iniciais do aprendizado,ela enriquece o vocabulário , põe o aluno em contato com as mais ricas possibilidades sintáticas, explora às últimas conseqüências o aspecto semântico e, em suma,amplia e aprofunda conhecimento da língua, inclusive sua face sonora.
A Literatura, assim, nas diversas fases do ensino, fornece ao aluno meios de apreender a linguagem e também de produzir textos. Ninguém aprenderá a escrever com um mínimo e competência se não for colocado em contato com a Literatura desde a infância. Quando se priva o aluno da Literatura não é só de compreender e escrever que ele se torna incapaz: ele não adquire condições de pensar no sentido pleno da palavra.
Tudo isto indica que o texto literário deve ser utilizado desde os primeiros anos de escola,primeiro na forma da Literatura infantil. É bom lembrar-se que, hoje em dia, a tarefa de colocar a Literatura nas mãos das crianças ou dos jovens não é executada normalmente pela família.
A escola , é em geral,a única oportunidade que o aluno tem de experimentar a Literatura. Se o professor dominar determinadas técnicas e, principalmente, se ele tiver sensibilidade, ele acabará levando seus alunos a gostarem de ler. Caso contrário, será mais difícil que surja o gosto pela leitura em ambientes extra- escolares.





Características do leitor infantil e juvenil
A criança apreende a vida por meio de sensações e impressões
. Tudo que a rodeia, em virtude da animação que empresta às coisas e ao significado que atribui aos seres, adquire o sentido da variedade e da multiplicidade. A vida para ela é um pluriverso. Buscando a conquista e afirmação num mundo em que seus sentidos e seu entendimento não conseguem totalmente decifrar, funde e confunde o real e o mágico, movendo-se num cosmo onde a fantasia transpassa a vida e a vida toma aspectos de fantasia.
A Literatura Infantil com suas fadas e bruxas, animais que falam e heróis invencíveis vai ao encontro dos interesses e anseios da criança, mostrando-lhe um mundo de contornos imprecisos, mas perfeitamente compreensível e aceitável, um mundo povoado de seres imaginários, porém vivos e atuantes dentro da lógica infantil.
Os interesses e exigências do leitor em termos de personagens, temas, estruturas e gêneros narrativos, não permanecem sempre os mesmos. Atravessando estágios de desenvolvimento, em cada fase evolutiva demonstra preferência por uma modalidade de leitura.
Na fase animista, que se estende aproximadamente até os oito anos, tudo tem vida para a criança; é a fase do pensamento lúdico.
Vivenciam uma etapa de pensamento, onde o jogo e o mistério são os estimulantes da sua imaginação. Como a criança, nesta fase, ainda não se encontra dotada de capacidade para interpretar racionalmente os fenômenos naturais, aprecia narrativas em que predomine o ilogismo, o assombro, o divertimento. Contos de fadas, fábulas, contos de mistério, história sobre animais e plantas que falam fazem parte de seu mundo de encantamento.

Por volta dos nove anos, a criança começa a se interessar pela realidade circundante, substituindo personagens sobrenaturais por tipos humanos heróicos e empreendedores; é a fase do pensamento mágico. A ação, a aventura, o risco e o esforço pessoal são os requisitos procurados numa narrativa funcional. Embora impulsionada pelo sentido de coragem, de perigo, de audácia, necessita de justiça, exigindo verossimilhança e possibilidade de veracidade nos relatos. São indicados para esta fase os contos populares, lendas, histórias humorísticas e aventuras.

Dos doze aos quatorze anos, a criança se encontra na fase do pensamento lógico, a etapa fantástico-realista. A descoberta do mundo interior e as questões pessoais passam a assumir a preocupação do leitor adolescente. Começando a dominar as noções abstratas, razão e sentimento são a tônica do seu pensar. Interessando-se por temas relacionados ao sexo, amor, luta do homem no combate a obstáculos e adversidades, gozam da preferência do leitor nesta fase de pensamento lógico as novelas sentimentais e policiais, as biografias romanceadas e os romances históricos.

Na literatura, que caracterizava a fase do pensamento lúdico, o herói vencia por milagre. Na fase do pensamento mágico, vencia o esforço. Agora, nesta fase de pensamento abstrato, o herói adquire contornos definidos. Tem capacidade para amar, sofrer, vivenciar experiências pessoais que possibilitem a superação das adversidades. Com isso, um novo elemento instaura-se na estruturação das personagens: o sentimental.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

LER DEVIA SER PROIBIDO

Lendo o artigo enviado pela Lílian, lembrei-me de um outro texto, de Guiomar de Grammon, que me marcou muito na faculdade, espero que gostem e reflitam:


LER DEVIA SER PROIBIDO
Guiomar de Grammon

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insonsso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.




In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista. Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.

A Lilian disponibilizou este artigo no grupo. Amei, pois amo literatura!


Formação do Leitor



"Saber ler não é suficiente para transformar uma nação. É preciso ler mais. E leitores são formados, basicamente, com literatura. Isso porque a literatura é a palavra expressa em arte, alimento essencial do imaginário."

Elizabeth Serra



Transcrevo a seguir um depoimento de Ana Paula Maranhão, do site "Construir Notícias".http://www.construirnoticias.com.br/


No nível lingüístico, a audição de livros permite esclarecer um conjunto variado de relações entre a linguagem escrita e a linguagem falada; o sentido da leitura; as fronteiras entre as palavras; e a recorrência das letras, dos sons e da pontuação utilizada, aumentando a estrutura de seu repertório e desenvolvendo estruturas de frases e textos. A criança leitora habitua-se a parafrasear, a dizer de outro modo, a compreender e a utilizar figuras de estilo.

Essas capacidades lhe serão particularmente úteis após os dois primeiros anos de aprendizagem da leitura, durante os quais os textos a serem lidos são ainda relativamente simples. Com efeito, os conhecimentos lingüísticos adquiridos durante a audição de livros (histórias) proporcionam-lhe um trunfo considerável para enfrentar uma leitura progressivamente mais sofisticada.

No nível afetivo, descobre-se o universo da leitura pela voz, pela entonação e pela significação daqueles em que a criança tem mais confiança e com quem ela mais se identifica. Através de suas histórias favoritas, seus pais e professores desempenham um papel importante com seus comentários e suas explicações. Frutificando os subsídios cognitivos e lingüísticos, sendo através deles que o leitor descarrega todas as suas emoções e seus sentimentos, sempre lhes dando um novo significado. Desse modo, ele irá perceber a função social da leitura.

Formar um leitor é algo sutil e democrático, exigindo a única pedagogia possível: a do afeto e da liberdade (Maria Dinorah,1996).

Segundo estatísticas internacionais, forma-se um leitor mais ou menos até os quatorze anos de idade, num processo que tem raízes no lar, onde a criança, desde os primeiros anos de vida, convive com a magia das histórias, lendas, poesias... Especialistas chegam a afirmar que esse processo tem início no ventre materno. Aprendendo a gostar de ler, antes mesmo de saber ler.

José Morais, em seu livro A arte de Ler, afirma que "Os prazeres da leitura são múltiplos. Lemos para saber, para compreender, para refletir. Lemos também pela beleza da linguagem, para nossa emoção, para nossa perturbação. Lemos para compartilhar. Lemos para sonhar e para aprender a sonhar (há várias maneiras de sonhar...). A melhor maneira de começar a sonhar é por meio dos livros..."

Deduzimos então, como Maria Dinorah, professora e escritora, que "Uma criança sem livros é um prenúncio de um tempo sem idéias". Para ela, o livro tem o poder de desenvolver na criança leitora a criatividade, a sensibilidade, o senso crítico, a sociabilidade e a imaginação; e leva a criança a aprender. É lendo que se aprende a ler, a escrever e a interpretar, formando assim um verdadeiro leitor, leitor no mundo que o rodeia. Numa palestra, Emília Ferreira falava: "Contem muitas histórias para as crianças, desde pequeninas".
Bill Gates, o papa da computação, em entrevista ao Jornal do Brasil de 15 de dezembro de 1996, revelou: "Computadores não substituem livros". Cecília Meireles citava: "A literatura melhor é a que as crianças lêem com prazer". Assim falava Fanny Abramovich: "Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias". Monteiro Lobato, que desejava muito fazer "um livro onde as crianças pudessem morar", também comentava: "Um país é feito de homens e livros".
Percebemos em todas as citações o quanto é encantador proporcionar o prazer pela leitura.
Para formarmos leitores, precisamos ter prazer; o prazer da audição, de se encontrar consigo mesmo, de ser ator e espectador, mesmo que ela ainda não saiba ler. Daniel Pennac, em seu livro Como Um Romance, revela-nos os dez direitos imprescritíveis de um leitor:

01. O direito de não ler.
02. O direito de pular páginas.
03. O direito de não terminar um livro.
04. O direito de reler.
05. O direito de ler qualquer coisa.
06. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
07. O direito de ler em qualquer lugar.
08. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
09. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de calar.

É importante que esses direitos estejam incorporados às práticas cotidianas do leitor, propiciando-lhe informações culturais e oportunidade de se apaixonar pelas leituras e pelos livros, dando alimento à sua imaginação. Proporcionando o máximo de conforto e liberdade, pretende-se despertar o desejo e o prazer de ser um verdadeiro leitor.

domingo, 18 de janeiro de 2009

A PRÁTICA DA LEITURA COMEÇA EM CASA


Aline B. Simoni Belleboni


Ler é viajar para mundos desconhecidos, descobrir o que antes era mistério, fantasiar, deixar a imaginação aflorar dentro do texto. Enquanto lemos, vivemos uma experiência valiosa.
A mente humana, que possui funções importantes como a memória, o raciocínio, e a atenção, permite que possamos experienciar tudo o que o simples prazer de ler proporciona. Pensando nisso, torna-se importante que pais e familiares permitam o acesso a materiais diversos em casa a fim de propiciar a leitura de filhos pequenos.
A família é fundamental na formação de bons leitores. A escola participa, sem dúvida ativamente do processo de leitura, mas quem certamente forma um leitor é a sua própria família. Na família, as relações sociais, são espontâneas, partilhadas de emoções, valores e crenças experimentados por todos que dela fazem parte. Pais, tios, avós, irmãos têm histórias de vida partilhadas em conjunto e exercem forte influência sobre os filhos, desde pequenos, principalmente por suas atitudes e práticas em diferentes situações. A escola atua como coadjuvante, parceira da família, propondo, sugerindo idéias, aconselhando, mas ela não substitui os valores que são passados por cada família.
A forma como a família e a escola, desde o princípio, colaboram para a prática da leitura marcará o futuro intelectual do indivíduo nos demais anos escolares. Residências aonde o jornal chega diariamente, pais que compram livros para seus filhos e discutem sobre o texto lido, com freqüência têm mais chances de ter filhos responsáveis bem sucedidos profissionalmente. Desde muito pequena a criança deve ser estimulada diariamente a prática da leitura. Se a família considerar importante o valor desta prática, vai obter como resultado bons leitores.
Ler para seus filhos é uma prática maravilhosa! Além do prazer de estarem juntos, estarão realizando algo educativo. Opções não faltam para quem se dispõe a contribuir para a formação leitora de seus filhos. Histórias em quadrinhos, poesias, piadas, notícias de jornal, dicionários, cartas, letras de música, livros de receitas, enfim...muitas são as opções! Cada leitura realizada seja ela de jornais, revistas, livros, cartilhas, embalagens, placas na rua, entre outros, tem a sua importância e contribui para o crescimento intelectual do indivíduo.
Ele vai amadurecer, elaborar projetos de estudo/trabalho, interessar-se cada vez mais por diferentes assuntos e vai construindo sua personalidade e formando seu caráter.
Para os pais, propiciar que o filho se torne um bom leitor é pensar no seu futuro, no seu modo de crescer. Quando ele sair da escola, será mais do que nunca um membro efetivo de uma sociedade, que discute, opina, luta. Vai atuar na profissão escolhida, e exercer seus deveres e direitos de cidadão.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

POR QUE CONTAMOS HISTÓRIAS?





Contos de Fadas alimentam o imaginário humano.



Sem esse alimento ficamos desnutridos.
Contamos histórias porque somos humanos, contadores inatos, congênitos.
Porque temos fome da imaterialidade dos sonhos.
De subjetividade.
De grandeza.
Amor.
Detalhes, desafios, ternura.
Temos fome de reinventar a mesmice. Embelezar o cotidiano.
Dançar com as fadas além do bem, além do mal,
Com uma carga de lirismo e uma dose cavalar de loucura.
Para isso que existimos, para termos uma história só nossa.
Uma história escrita com o rastro fosforescente de nossos pés.
Quem conta uma história acende uma luz atrás do véu da realidade
e conta um segredo, sussurra e revela uma verdade,
várias verdades fantasiadas de mentiras.
Um contador de histórias lúcido
sabe que um castelo erguido no imaginário de uma criança
possui uma arquitetura tão arrojada que nenhum tesouro do mundo real
seria capaz de custear a sua construção.
Por isso ele investe no enriquecimento do universo interior da criança.
Agindo dessa forma,
ele contribui para erradicar a miséria emocional e espiritual do homem.

PARA O SONHADOR QUE EDUCA E TAMBÉM PARA O EDUCADOR QUE SONHA

Contar histórias para as crianças mostra-se uma alternativa para a resolução de problemas sociopolíticos, econômicos e de ordem humana.

Um adulto que construiu na sua infância um império interior não precisa pisar em seus semelhantes para edificar, de forma ilícita, impérios exteriores.

Ele consegue estabelecer limites porque os seus valores éticos permitem a ele discernir o que realmente tem valor para si, razão pela qual conta muito para ele a forma de alcançar a prosperidade.


Dificilmente esse adulto que ouviu histórias na infância ficará lutando com moinhos de vento, abusando do poder e ferindo as aspirações sociais da própria democracia em detrimento de um individualismo egoístico levado às ultimas conseqüências.

Extraído do livro "Contos de Fadas" de Jonas Ribeiro
“Para atuar como leitores, é preciso que os alunos façam parte de um comunidade de leitores na qual se recorra cotidianamente aos textos para viver juntos a emoção suscitada por um poema. Estejam envolvidos em situações que lhes habilitem progressivamente para detectar as intenções-explícitas ou implícitas-apresentadas nos textos que lêem ... ‘entra’ nos textos que revelam outras idéias e outros mundos possíveis, serem sensíveis à beleza e a força da expressão literária, apreciar a qualidade estética das obras que lêem ...”

(Délia Lerner)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Cinderela em Todo Mundo


Cinderela Chinesa


A mais antiga versão de Cinderela, que se tem notícia, foi encontrada na China, entre os diversos manuscritos datados do século VII -- portanto 1.000 anos antes da adaptação de Charles Perrault, em seus "Contes de Ma mère l'Oye" (1697), elitizando o imaginário dos contos populares de magia com seus sapatinhos de cristal.
A história de Yeh-Shen, adaptada diretamente da tradição oral chinesa, traz a mesma jovem que, superando a maldade e o descaso da madrasta e de suas irmãs adotivas, torna-se a noiva do filho do imperador.

Cinderela da Coréia


A magia do extremo Oriente também está neste livro: Pear Blossom (Flor de Pera) é a identidade coreana para a incansável Cinderela que vive eternamente sob os maus tratos de sua madrasta. No entanto, nesta variante do conto, a fada-madrinha tradicional é substituída por outros auxiliares mágicos -- uma rã, um papagaio e um boi -- que permitem à personagem encontrar a felicidade de uma forma diferente, mas o final feliz é o mesmo, ou quase... Na Coréia, Flor de Pera-Cinderela é escolhida pelo magistrado (juiz) para ser sua esposa.
Emoldurando a narrativa, antigos padrões coreanos são cuidadosamente tecidos dentro de cada ilustração, fazendo o recontar uma viva experiência visual.


Cinderela dos Faraós


Nesta adaptação, somos apresentados à bela Rhodopis, uma jovem escrava grega perdida no Egito do Século VI a.C. que recebe de um velho mestre um par de chinelos vermelho-rosa.
Neste cenário, misturando o enredo de Cinderela a fatos históricos sobre a vida social entre escravos e os antigos faraós, Rhodopis é vítima de um falcão que, descendo em vôo rasante, rouba-lhe um de seus preciosos chinelos.


Em tempo: Rhodopis passa dias desconsolada até saber que o falcão entregou seu chinelinho vermelho ao grande Faraó que dele se utiliza como a única pista para encontrar sua dona e futura noiva. Por fim, Rhodopis é eleita a senhora do Egito, esposa e rainha.


Face-Cinza dos Ojibwa


Das tradições folclóricas dos índios Ojibwa, tribo dos EUA, Sootface (literalmente, Face de Fuligem, ou Face-Cinza) é uma jovem que faz de tudo: cozinhar, costurar, emendar e remendar, além de saber acencer o fogo com suas próprias mãos. Ela se ocupa de todo trabalho de casa para seu pai e as duas irmãs mais velhas que nada fazem na vida...
Face-Cinza sonha com um futuro melhor ao lado de um marido especial. Um dia, misteriosamente, um guerreiro todo-invisível anuncia sua busca por uma noiva: uma jovem de coração delicado e honesto. E somente a Cinderella Ojibwa é capaz de ver o grande caçador, reconhecendo o amado imerso na Natureza, sendo assim a donzela escolhida.


Cinderela dos Perus


Outra Cinderela sob a aparência de nativa: um conto zuni adaptado da tradição oral para a página impressa. Sem um nome particular, ela é apenas uma turkey girl, a guardadora de perus que vive no pueblo de Matsaki, recebendo por seu trabalho apenas milho e roupas velhas.
No meio de seu rebanho de penas, esconde-se o auxiliar mágico: o Mais Velho Peru que lhe concede dom e graças para participar do Festival de Dança do Pássaro Sagrado, em Hawikuh, vestindo-a com roupas novas, joiás e violetas do deserto... Mas ela deve voltar antes que o Sol amanheça, caso contrário todas aves lhe abandonarão!
Esta narrativa oferece um interessante contraponto para as versões mais divulgadas do conto de Cinderela, pois aqui há uma falta no final: acontece que a menina dos perus, envolvida com a dança e com os homens, mal vê o céu clarear. Lembra-se da promessa e volta para casa -- mas o atraso é irremediável: os perus vão embora para qualquer outro lugar que ela mesmo desconhece... A sorte lhe escapa. Mesclando-se ao gênero da lenda, vemos que é em razão da desobediência da pequena guardadora, que essas aves vivem afastadas do contato humano e nunca mais atenderão seus pedidos.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Ler é o melhor Remédio!!!




Ler é o melhor remédio

Leia Jornal

Leia outdoor

Leia letreiros da estação de trem

Leia os preços do supermercado

Leia alguém

Ler é a melhor comédia

Leia etiqueta jeans

Leia histórias em quadrinhos

Leia a continha do bar

Leia a bula de remédio

Leia a página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus(...)

Leia a vida...

Leia os olhos, leia as mãos, os lábios e os desejos das pessoas

Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática, trabalho, miséria e chateação

Leia as impossibilidades

Leia ainda mais as esperanças

Leia o que lhe der na telha, mas leia e as idéias virão.


Luis Fernando Veríssimo


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Contos de Fadas


Quem lê "Cinderela" não imagina que há registros de que essa história já era contada na China, durante o século IX d. C.. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral.
Pode-se dizer que os contos de fadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes questões universais, como os conflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia, no clima do "Era uma vez...".
Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condição humana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até hoje. Neles encontramos o amor, os medos, as dificuldades de ser criança, as carências (materiais e afetivas), as auto-descobertas, as perdas, as buscas, a solidão e o encontro.
Os contos de fadas caracterizam-se pela presença do elemento "fada". Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).
Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens, para auxiliá-los em situações-limite, quando já nenhuma solução natural seria possível.
Podem, ainda, encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas. Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou da condição feminina.
O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos, ou provas, que precisam ser vencidas, como um verdadeiro ritual iniciático, para que o herói alcance sua auto-realização existencial, seja pelo encontro de seu verdadeiro "eu", seja pelo encontro da princesa, que encarna o ideal a ser alcançado.

Estrutura básica dos contos de fadas
Início - nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição. Problemas vinculados à realidade, como estados de carência, penúria, conflitos, etc., que desequilibram a tranqüilidade inicial;
Ruptura - é quando o herói se desliga de sua vida concreta, sai da proteção e mergulha no completo desconhecido;
Confronto e superação de obstáculos e perigos - busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários;
Restauração - início do processo de descobrir o novo, possibilidades, potencialidades e polaridades opostas;
Desfecho - volta à realidade. União dos opostos, germinação, florescimento, colheita e transcendência.

FONTE
CRISTIANE MADANÊLO DE OLIVEIRA. "ESTUDO DAS DIVERSAS MODALIDADES DE TEXTOS INFANTIS" Disponível na internet via WWW URL: http://www.graudez.com.br/litinf/textos.htm#FadasCapturado em 17/5/2008

Frases

A leitura após certa idade distrai excessivamente o espírito humano das suas reflexões criadoras. Todo o homem que lê demais e usa o cérebro de menos adquire a preguiça de pensar.
Albert Einstein

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas,
por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.
Carlos Drummond de Andrade

A leitura engrandece a alma.
Voltaire

Viajar pela leitura
sem rumo, sem intenção.
Só para viver a aventura
que é ter um livro nas mãos.
É uma pena que só saiba disso
quem gosta de ler.
Experimente!
Assim sem compromisso,
você vai me entender.
Mergulhe de cabeça
na imaginação!
Clarice Pacheco

A leitura de todos os bons livros
é uma conversação com as mais honestas pessoas dos séculos passados.
René Descartes

Qual Ioga, qual nada!
A melhor ginástica respiratória que existe é a leitura, em voz alta, dos Lusíadas.
Mário Quintana

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante:
o livro fala e a alma responde.
André Maurois

A leitura traz ao homem plenitude, o discurso segurança e a escrita exactidão.
Francis Bacon

A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo.
Joseph Addison

Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros.
Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever -
inclusive a sua própria história.
Bill Gates

Leite, leitura
letras, literatura,
tudo o que passa,
tudo o que dura
tudo o que duramente passa
tudo o que passageiramente dura
tudo, tudo, tudo
não passa de caricatura
de você, minha amargura
de ver que viver não tem cura
Paulo Leminski

Os verdadeiros analfabetos
são os que aprenderam a ler e não lêem.
Mário Quintana

De um autor inglês do saudoso século XIX:
O verdadeiro gentleman compra sempre três exemplares de cada livro:
um para ler, outro para guardar na estante e o último para dar de presente.
Mário Quintana

Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria.
Jorge Luis Borges

A leitura torna o homem completo;
a conversação torna-o ágil,
e o escrever dá-lhe precisão.
Francis Bacon

Ler é... derrotar a ignorância e fortalecer a sabedoria
Joana Castro

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fábulas de Esopo

OS DOIS SAPOS

NUMA EMPRESA DE LATICÍNIOS, DOIS SAPOS DESASTRADAMENTE SALTARAM PARA DENTRO DE UM BALDE DE LEITE CREMOSO.
- É MELHOR DESISTIR. - COAXOU UM DOS SAPOS, DEPOIS DE TENTAR EM VÃO, SAIR DO BALDE. - VAMOS MORRER!
- CONTINUA A NADAR. - DISSE O SEGUNDO SAPO. - HAVEMOS DE ENCONTRAR MANEIRA DE SAIR DESTE ATOLEIRO!
- NÃO ADIANTA! - DISSE O PRIMEIRO. - ISTO É GROSSO DEMAIS PARA NADAR, MOLE DEMAIS PARA SALTAR E ESCORREGADIO DEMAIS PARA RASTEJAR. UM DIA TEMOS MESMO DE MORRER, POR ISSO, TANTO FAZ QUE SEJA ESTA NOITE.
AFUNDOU-SE NO BALDE E ACABOU POR MORRER.
O AMIGO POREM, CONTINUOU A NADAR, A NADAR, A NADAR, E QUANDO AMANHECEU, VIU-SE ENCARRAPITADO NUM MONTE DE MANTEIGA QUE ELE, SOZINHO, HAVIA BATIDO.
LÁ ESTAVA O SAPO, COM UM SORRISO, COMENDO AS MOSCAS QUE ENXAMEAVAM, VINDAS DE TODAS AS DIREÇÕES.

MORAL: NÃO HÁ CONQUISTA SEM LUTA...
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A RAPOSA E O GALO

A RAPOSA ENCONTROU O GALO E LHE PROPÔS UMA APOSTA:
- COMPADRE, VAMOS VER QUEM PASSA MAIS TEMPO COM OS OLHOS FECHADOS?
- VAMOS! - TOPOU O GALO.
ENTÃO A RAPOSA FECHOU OS OLHOS, E O GALO FECHOU UM E DEIXOU O OUTRO ABERTO.
A RAPOSA, QUE ESTAVA PROCURANDO UM MOMENTO PARA ABOCANHAR O GALO, ABRIU OS OLHOS E O VIU COM UM OLHO FECHADO E OUTRO ABERTO. RECLAMOU:
- COMPADRE GALO, É PRA FECHAR OS DOIS OLHOS!
- NÃO, COMADRE RAPOSA! COM AMIGO INCERTO É UM OLHO FECHADO E OUTRO ABERTO!...

MORAL: "COM AMIGO INCERTO É UM OLHO FECHADO E OUTRO ABERTO!..."
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O CÃO E SEU REFLEXO
UM CÃO ESTAVA SE SENTINDO MUITO ORGULHOSO DE SI MESMO. ACHARA UM ENORME PEDAÇO DE CARNE E A LEVAVA NA BOCA, PRETENDENDO DEVORÁ-LO EM PAZ EM ALGUM LUGAR.
ELE CHEGOU A UM CURSO RIO E COMEÇOU A CRUZAR A ESTREITA PONTE QUE O LEVAVA PARA O OUTRO LADO. DE REPENTE, PAROU E OLHOU PARA BAIXO. NA SUPERFÍCIE DA ÁGUA, VIU SEU PRÓPRIO REFLEXO BRILHANDO.
O CÃO NÃO SE DEU CONTA QUE ESTAVA OLHANDO PARA SI MESMO. JULGOU ESTAR VENDO OUTRO CÃO COM UM PEDAÇO DE CARNE NA BOCA.
OPA! AQUELE PEDAÇO DE CARNE É MAIOR QUE O MEU, PENSOU ELE. VOU PEGÁ-LO E CORRER. DITO E FEITO. LARGOU SEU PEDAÇO DE CARNE PARA PEGAR O QUE ESTAVA NA BOCA DO OUTRO CÃO. NATURALMENTE, SEU PEDAÇO CAIU N`ÁGUA E FOI PARAR BEM NO FUNDO, DEIXANDO-O SEM NADA.

MORAL: QUEM TUDO QUER TUDO PERDE.
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A LEBRE E A TARTARUGA
"A LEBRE ESTAVA SE VANGLORIANDO DE SUA RAPIDEZ, PERANTE OS OUTROS ANIMAIS:
- NUNCA PERCO DE NINGUÉM. DESAFIO A TODOS AQUI A TOMAREM PARTE NUMA CORRIDA COMIGO.
- ACEITO O DESAFIO! DISSE A TARTARUGA CALMAMENTE.
- ISTO PARECE BRINCADEIRA. PODERI DANÇAR À SUA VOLTA, POR TODO O CAMINHO, RESPONDEU A LEBRE.
- GUARDE SUA PRESUNÇÃO ATÉ VER QUEM GANHA. RECOMENDOU A TARTARUGA.
A UM SINAL DADO PELOS OUTROS ANIMAIS, AS DUAS PARTIRAM. A LEBRE SAIU A TODA VELOCIDADE. MAIS ADIANTE, PARA DEMONSTRAR SEU DESPREZO PELA RIVAL, DEITOU-SE E TIROU UMA SONECA.
A TARTARUGA CONTINUOU AVANÇANDO, COM MUITA PERSEVERANÇA. QUANDO A LEBRE ACORDOU, VIU-A JÁ PERTINHO DO PONTO FINAL E NÃO TEVE TEMPO DE CORRER, PARA CHEGAR PRIMEIRO.

(COM PERSEVERANÇA, TUDO SE ALCANÇA)
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O LOBO E O CORDEIRO
UM CORDEIRO ESTAVA BEBENDO ÁGUA NUM RIACHO. O TERRENO ERA INCLINADO E POR ISSO HAVIA UMA CORRENTEZA FORTE. QUANDO ELE LEVANTOU A CABEÇA, AVISTOU UM LOBO, TAMBÉM BEBENDO DA ÁGUA.
- COMO É QUE VOCÊ TEM A CORAGEM DE SUJAR A ÁGUA QUE EU BEBO - DISSE O LOBO, QUE ESTAVA ALGUNS DIAS SEM COMER E PROCURAVA ALGUM ANIMAL APETITOSO PARA MATAR A FOME.
- SENHOR - RESPONDEU O CORDEIRO - NÃO PRECISA FICAR COM RAIVA PORQUE EU NÃO ESTOU SUJANDO NADA. BEBO AQUI, UNS VINTE PASSOS MAIS ABAIXO, É IMPOSSÍVEL ACONTECER O QUE O SENHOR ESTÁ FALANDO.
- VOCÊ AGITA A ÁGUA - CONTINUOU O LOBO AMEAÇADOR - E SEI QUE VOCÊ ANDOU FALANDO MAL DE MIM NO ANO PASSADO.
- NÃO PODE - RESPONDEU O CORDEIRO - NO ANO PASSADO EU AINDA NÃO TINHA NASCIDO.
O LOBO PENSOU UM POUCO E DISSE:
- SE NÃO FOI VOCÊ FOI SEU IRMÃO, O QUE DÁ NO MESMO.
- EU NÃO TENHO IRMÃO - DISSE O CORDEIRO - SOU FILHO ÚNICO.
- ALGUÉM QUE VOCÊ CONHECE, ALGUM OUTRO CORDEIRO, UM PASTOR OU UM DOS CÃES QUE CUIDAM DO REBANHO, E É PRECISO QUE EU ME VINGUE.
ENTÃO ALI, DENTRO DO RIACHO, NO FUNDO DA FLORESTA, O LOBO SALTOU SOBRE O CORDEIRO,AGARROU-O COM OS DENTES E O LEVOU PARA COMER NUM LUGAR MAIS SOSSEGADO.

MORAL: A RAZÃO DO MAIS FORTE É SEMPRE A MELHOR.
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A GANSA QUE PUNHA OVOS DE OURO

"UM HOMEM POSSUÍA UMA GANSA QUE, TODA MANHÃ, PUNHA UM OVO DE OURO. VENDENDO ESTES OVOS PRECIOSOS, ELE ESTAVA ACUMULANDO UMA GRANDE FORTUNA. QUANTO MAIS RICO FICAVA, PORÉM, MAIS AVARENTO SE TORNAVA. COMEÇOU A ACHAR QUE UM OVO SÓ, POR DIA, ERA POUCO.
"PORQUE NÃO PÕE DOIS OVOS, QUATRO OU CINCO?" PENSAVA ELE. "PROVAVELMENTE, SE EU ABRIR A BARRIGA DESTA AVE, ENCONTRAREI UMA CENTENA DE OVOS E VIVEREI COMO UM NABABO". ASSIM PENSANDO, MATOU A GANSA ABRIU-LHE A BARRIGA E, NATURALMENTE, NADA ENCONTROU."

(QUEM TUDO QUER, TUDO PERDE)
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A RAPOSA E AS UVAS
UMA RAPOSA FAMINTA ENTROU NUM TERRENO ONDE HAVIA UMA PARREIRA, CHEIA DE UVAS MADURAS, CUJOS CACHOS SE PENDURAVAM, MUITO ALTO, EM CIMA DE SUA CABEÇA. A RAPOSA NÃO PODIA RESISTIR À TENTAÇÃO DE CHUPAR AQUELAS UVAS MAS,POR MAIS QUE PULASSE, NÃO CONSEGUIA ABOCANHÁ-LAS. CANSADA DE PULAR, OLHOU MAIS UMA VEZ OS APETITOSOS CACHOS E DISSE:- ESTÃO VERDES . . .

MORAL: É FÁCIL DESDENHAR DAQUILO QUE NÃO SE ALCANÇA.
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A RAPOSA E A MÁSCARA
UM DIA UMA RAPOSA ENTROU NA CASA DE UM ATOR E ENCONTROU UMA LINDA MÁSCARA NO MEIO DE UMA PILHA DE OBJETOS USADOS NO TEATRO. ENCOSTANDO A PATA NA MÁSCARA, DISSE:
- QUE BELO ROSTO TEMOS AQUI! PENA QUE NÃO TENHA CÉREBRO.

MORAL: UMA BELA APARÊNCIA NÃO SUBSTITUI O VALOR DO ESPÍRITO.
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O GATO, O GALO E O RATINHO
UM RATINHO VIVIA NUM BURACO COM SUA MÃE. DEPOIS DE SAIR SOZINHO PELA PRIMEIRA VEZ, CONTOU A ELA:
- MÃE, VOCÊ NÃO IMAGINA OS BICHOS ESTRANHOS QUE ENCONTREI! UM ERA BONITO E DELICADO, TINHA UM PÊLO MUITO MACIO E UM RABO ELEGANTE, UM RABO QUE SE MOVIA FORMANDO ONDAS. O OUTRO ERA UM MONSTRO HORRÍVEL! NO ALTO DA CABEÇA E DEBAIXO DO QUEIXO ELE TINHA PEDAÇOS DE CARNE CRUA, QUE BALANÇAVAM QUANDO ELE ANDAVA. DE REPENTE OS LADOS DO CORPO DELE SE SACUDIRAM E ELE DEU UM GRITO APAVORANTE. FIQUEI COM TANTO MEDO QUE FUGI CORRENDO, BEM NA HORA QUE IA CONVERSAR UM POUCO COM O SIMPÁTICO.
- AH, MEU FILHO! – RESPONDEU A MÃE. – ESSE SEU MONSTRO ERA UMA AVE INOFENSIVA; O OUTRO ERA UM GATO FEROZ, QUE NUM SEGUNDO TERIA TE DEVORADO.

MORAL: JAMAIS CONFIE NAS APARÊNCIAS.
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A CIGARRA E AS FORMIGAS
NUM BELO DIA DE INVERNO AS FORMIGAS ESTAVAM TENDO O MAIOR TRABALHO PARA SECAR SUAS RESERVAS DE TRIGO. DEPOIS DE UMA CHUVARADA, OS GRÃOS TINHAM FICADO COMPLETAMENTE MOLHADOS. DE REPENTE APARECE UMA CIGARRA:
- POR FAVOR, FORMIGUINHAS, ME DÊEM UM POUCO DE TRIGO! ESTOU COM UMA FOME DANADA, ACHO QUE VOU MORRER.
AS FORMIGAS PARARAM DE TRABALHAR, COISA QUE ERA CONTRA OS PRINCÍPIOS DELAS, E PERGUNTARAM:
- MAS POR QUÊ? O QUE VOCÊ FEZ DURANTE O VERÃO? POR ACASO NÃO SE LEMBROU DE GUARDAR COMIDA PARA O INVERNO?
- PARA FALAR A VERDADE, NÃO TIVE TEMPO – RESPONDEU A CIGARRA. – PASSEI O VERÃO CANTANDO!
- BOM... SE VOCÊ PASSOU O VERÃO CANTANDO, QUE TAL PASSAR O INVERNO DANÇANDO? – DISSERAM AS FORMIGAS, E VOLTARAM PARA O TRABALHO DANDO RISADA.

MORAL: OS PREGUIÇOSOS COLHEM O QUE MERECEM.
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O LEÃO E O MOSQUITO
UM LEÃO FICOU COM RAIVA DE UM MOSQUITO QUE NÃO PARAVA DE ZUMBIR AO REDOR DE SUA CABEÇA, MAS O MOSQUITO NÃO DEU A MÍNIMA.
-VOCÊ ESTÁ ACHANDO QUE VOU FICAR COM MEDO DE VOCÊ SÓ PORQUE VOCÊ PENSA QUE É REI? – DISSE ELE ALTIVO, E EM SEGUIDA VOOU PARA O LEÃO E DEU UMA PICADA ARDIDA NO SEU FOCINHO.
INDIGNADO, O LEÃO DEU UMA PATADA NO MOSQUITO, MAS A ÚNICA COISA QUE CONSEGUI FOI ARRANHAR-SE COM AS PRÓPRIAS GARRAS. O MOSQUITO CONTINUOU PICANDO O LEÃO, QUE COMEÇOU A URRAR COMO UM LOUCO. NO FIM, EXAUSTO, ENFURECIDO E COBERTO DE FERIDAS PROVOCADAS POR SEUS PRÓPRIOS DENTES E GARRAS, O LEÃO SE RENDEU. O MOSQUITO FOI EMBORA ZUMBINDO PARA CONTAR A TODO MUNDO QUE TINHA VENCIDO O LEÃO, MAS ENTROU DIRETO NUMA TEIA DE ARANHA. ALI O VENCEDOR DO REI DOS ANIMAIS ENCONTROU SEU TRISTE FIM, COMIDO POR UMA ARANHA MINÚSCULA.

MORAL: MUITAS VEZES O MENOR DE NOSSOS INIMIGOS É O MAIS TEMÍVEL.
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O GALO E A RAPOSA
O GALO CACAREJAVA EM CIMA DE UMA ÁRVORE. VENDO-O ALI, A RAPOSA TRATOU DE BOLAR UMA ESTRATÉGIA PARA QUE ELE DESCESSE E FOSSE O PRATO PRINCIPAL DE SEU ALMOÇO.
-VOCÊ JÁ FICOU SABENDO DA GRANDE NOVIDADE, GALO? – PERGUNTOU A RAPOSA.
-NÃO. QUE NOVIDADE É ESSA?
-ACABA DE SER ASSINADA UMA PROCLAMAÇÃO DE PAZ ENTRE TODOS OS BICHOS DA TERRA, DA ÁGUA E DO AR. DE HOJE EM DIANTE, NINGUÉM PERSEGUE MAIS NINGUÉM. NO REINO ANIMAL HAVERÁ APENAS PAZ, HARMONIA E AMOR.
-ISSO PARECE INACREDITÁVEL! – COMENTOU O GALO.
-VAMOS, DESÇA DA ÁRVORE QUE EU LHE DAREI MAIS DETALHES SOBRE O ASSUNTO – DISSE A RAPOSA.
O GALO, QUE DE BOBO NÃO TINHA NADA, DESCONFIOU QUE TUDO NÃO PASSAVA DE UM ESTRATAGEMA DA RAPOSA. ENTÃO, FINGIU ESTAR VENDO ALGUÉM SE APROXIMANDO.
-QUEM VEM LÁ? QUEM VEM LÁ? – PERGUNTOU A RAPOSA CURIOSA.
-UMA MATILHA DE CÃES DE CAÇA – RESPONDEU O GALO.
-BEM...NESSE CASO É MELHOR EU ME APRESSAR – DESCULPOU-SE A RAPOSA.
-O QUE É ISSO, RAPOSA? VOCÊ ESTÁ COM MEDO? SE A TAL PROCLAMAÇÃO ESTÁ MESMO EM VIGOR, NÃO HÁ NADA A TEMER. OS CÃES DE CAÇA NÃO VÃO ATACÁ-LA COMO COSTUMAVA FAZER.
-TALVEZ ELES AINDA NÃO SAIBAM DA PROCLAMAÇÃO. ADEUSINHO!
E LÁ SE FOI A RAPOSA, COM TODA A PRESSA, EM BUSCA DE UMA OUTRA PRESA PARA O SEU ALMOÇO.

MORAL: É PRECISO TER CUIDADO COM AMIZADES REPENTINAS.
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A RAPOSA E O CORVO
UM DIA UM CORVO ESTAVA POUSADO NO GALHO DE UMA ÁRVORE COM UM PEDAÇO DE QUEIJO NO BICO QUANDO PASSOU UMA RAPOSA. VENDO O CORVO COM O QUEIJO, A RAPOSA LOGO COMEÇOU A MATUTAR UM JEITO DE SE APODERAR DO QUEIJO. COM ESTA IDÉIA NA CABEÇA, FOI PARA DEBAIXO DA ÁRVORE, OLHOU PARA CIMA E DISSE:
-QUE PÁSSARO MAGNÍFICO AVISTO NESSA ÁRVORE! QUE BELEZA ESTONTEANTE! QUE CORES MARAVILHOSAS! SERÁ QUE ELE TEM UMA VOZ SUAVE PARA COMBINAR COM TANTA BELEZA! SE TIVER, NÃO HÁ DÚVIDA DE QUE DEVE SER PROCLAMADO REI DOS PÁSSAROS.
OUVINDO AQUILO O CORVO FICOU QUE ERA PURA VAIDADE. PARA MOSTRAR À RAPOSA QUE SABIA CANTAR, ABRIU O BICO E SOLTOU UM SONORO "CRÓÓÓ!" . O QUEIJO VEIO ABAIXO, CLARO, E A RAPOSA ABOCANHOU LIGEIRO AQUELA DELÍCIA, DIZENDO:
-OLHE, MEU SENHOR, ESTOU VENDO QUE VOZ O SENHOR TEM. O QUE NÃO TEM É INTELIGÊNCIA!
MORAL: CUIDADO COM QUEM MUITO ELOGIA.
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A OVELHA NEGRA
ERA UMA VEZ UMA OVELHINHA DIFERENTE DAS SUAS IRMÃS DE REBANHO: ERA NEGRA. POR ISSO, ERA DESPREZADA E SOFRIA TODO TIPO DE MAUS TRATOS. AS OUTRAS LHE DAVAM MORDIDAS, PATADAS; PROCURAVAM COLOCÁ-LA EM ÚLTIMO LUGAR NO REBANHO. QUANDO ESTAVAM NUM PRADO PASTANDO, O REBANHO INTEIRO TENTAVA NÃO DEIXAR QUE A OVELHINHA NEGRA PROVASSE UMA ERVAZINHA SEQUER. DESSA FORMA, SUA EXISTÊNCIA ERA HORRÍVEL.
FARTA DE TANTO DESPREZO, A OVELHINHA NEGRA AFASTOU-SE DO REBANHO. DURANTE MUITO TEMPO VAGOU SEM RUMO PELO BOSQUE. QUANDO ANOITECEU, EXAUSTA, A OVELHINHA DEITOU-SE, SEM PERCEBER, EM UM MONTE DE FARINHA, ONDE DORMIU.
AO RAIAR O DIA, ACORDOU E VIU, CHEIA DE SURPRESA, QUE SE HAVIA TRANSFORMADO EM UMA OVELHA MUITO BRANCA, IMACULADA. VOLTOU ENTÃO AO SEU REBANHO, ONDE FOI MUITO BEM RECEBIDA E PROCLAMADA RAINHA, PELA SUA BELA APARÊNCIA.
NAQUELA OCASIÃO, ESTAVA SENDO ANUNCIADA A VISITA DO PRÍNCIPE DOS CORDEIROS, QUE VINHA EM BUSCA DE UMA ESPOSA.
O PRÍNCIPE FOI RECEBIDO NO REBANHO COM GRANDES HONRAS. ENQUANTO ELE OBSERVAVA AS OVELHAS QUE FORMAVAM O REBANHO, DESABOU UMA VIOLENTA TEMPESTADE. A CHUVA DISSOLVEU A FARINHA QUE COBRIA O PÊLO NEGRO DE NOSSA OVELHINHA, E ELA RECUPEROU SUA COR NATURAL.
QUANDO A VIU, O PRÍNCIPE RESOLVEU QUE SERIA A ESCOLHIDA. AS OUTRAS OVELHAS PERGUNTARAM POR QUÊ.
- É DIFERENTE DAS OUTRAS. E ISSO, PARA MIM, É SUFICIENTE.
ASSIM, A OVELHINHA NEGRA TORNOU-SE PRINCESA E TEVE, FINALMENTE, O DESTINO JUSTO QUE MERECIA.
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O SAPO E O BOI
HÁ MUITO, MUITO TEMPO EXISTIU UM BOI IMPONENTE. UM DIA O BOI ESTAVA DANDO SEU PASSEIO DA TARDE QUANDO UM POBRE SAPO TODO MAL VESTIDO OLHOU PARA ELE E FICOU MARAVILHADO. CHEIO DE INVEJA DAQUELE BOI QUE PARECIA O DONO DO MUNDO, O SAPO CHAMOU OS AMIGOS.
– OLHEM SÓ O TAMANHO DO SUJEITO! ATÉ QUE ELE É ELEGANTE, MAS GRANDE COISA; SE EU QUISESSE TAMBÉM ERA.
DIZENDO ISSO O SAPO COMEÇOU A ESTUFAR A BARRIGA E EM POUCO TEMPO JÁ ESTAVA COM O DOBRO DO SEU TAMANHO NORMAL.
– JÁ ESTOU GRANDE QUE NEM ELE? – PERGUNTOU AOS OUTROS SAPOS.
– NÃO, AINDA ESTÁ LONGE!- RESPONDERAM OS AMIGOS.
O SAPO SE ESTUFOU MAIS UM POUCO E REPETIU A PERGUNTA.
– NÃO – DISSERAM DE NOVO OS OUTROS SAPOS -, E É MELHOR VOCÊ PARAR COM ISSO PORQUE SENÃO VAI ACABAR SE MACHUCANDO.
MAS ERA TANTA VONTADE DO SAPO DE IMITAR O BOI QUE ELE CONTINUOU SE ESTUFANDO, ESTUFANDO, ESTUFANDO – ATÉ ESTOURAR.
MORAL: SEJA SEMPRE VOCÊ MESMO.
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A CEGONHA E A RAPOSA
UM DIA A RAPOSA, QUE ERA AMIGA DA CEGONHA, CONVIDOU-A PARA UM JANTAR. MAS PREPAROU PARA A AMIGA UMA PORÇÃO DE COMIDAS MOLES, LÍQUIDAS, QUE ELA SERVIA SOBRE UMA PEDRA LISA.
ORA, A CEGONHA, COM SEU LONGO BICO, POR MAIS QUE SE ESFORÇASSE SÓ CONSEGUIA BICAR A COMIDA, MACHUCANDO SEU BICO E NÃO COMENDO NADA. A RAPOSA INSISTIA PARA QUE A CEGONHA COMESSE, MAS ELA NÃO CONSEGUIA, E ACABOU INDO PARA CASA COM FOME.
ENTÃO, A CEGONHA, EM OUTRA OCASIÃO, CONVIDOU A RAPOSA PARA JANTAR COM ELA.
PREPAROU COMIDAS CHEIROSAS E COLOCOU EM VASOS COMPRIDOS E ALTOS, ONDE SEU BICO ENTRAVA COM FACILIDADE, MAS O FOCINHO DA RAPOSA NÃO ALCANÇAVA. FOI A VEZ DA RAPOSA VOLTAR PARA CASA DESAPONTADA E FAMINTA.
MORAL: "NÃO FAÇA AOS OUTROS O QUE NÃO QUER QUE LHE FAÇAM."

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O ASTRÔNOMO
UM ASTRÔNOMO TINHA O COSTUME DE PASSEAR TODAS AS NOITES, ESTUDANDO OS ASTROS. UM DIA EM QUE VAGAVA POR FORA DA CIDADE, DISTRAÍDO NA CONTEMPLAÇÃO DO CÉU, CAIU SEM QUERER NUM BURACO. ELE RECLAMOU UM POUCO E DEPOIS COMEÇOU A GRITAR POR SOCORRO. POR SORTE, UM HOMEM PASSOU POR ALI E APROXIMOU-SE PARA SABER O QUE TINHA ACONTECIDO. INFORMADO DOS FATOS, DISSE:
- MEU AMIGO! VOCÊ QUER VER O QUE EXISTE NO CÉU E NÃO VÊ O QUE EXISTE NA TERRA?

MORAL: "TUDO BEM EM OLHAR E CONHECER AO NOSSO REDOR, MAS ANTES, TEMOS QUE SABER ONDE ESTAMOS PARADOS."
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O RATINHO, O GATO E O GALO
CERTA MANHÃ UM RATINHO SAIU DO BURACO PELA PRIMEIRA VEZ. QUERIA CONHECER O MUNDO E TRAVAR RELAÇÕES COM TANTA COISA BONITA DE QUE FALAVAM SEUS AMIGOS.
ADMIROU A LUZ DO SOL, O VERDOR DAS ÁRVORES, A CORRENTEZA DOS RIBEIRÕES, A HABITAÇÃO DOS HOMENS. E ACABOU PENETRANDO NO QUINTAL DE UMA CASA DA ROÇA.
- SIM SENHOR! É INTERESSANTE ISTO!
EXAMINOU TUDO MINUCIOSAMENTE, FAREJOU A TULHA DE MILHO E A ESTREBARIA. EM SEGUIDA NOTOU NO TERREIRO UM CERTO ANIMAL DE BELO PÊLO QUE DORMIA SOSSEGADO AO SOL. APROXIMOU-SE DELE E FAREJOU-O SEM RECEIO NENHUM.
NISTO APARECE UM GALO, QUE BATE AS ASAS E CANTA.
O RATINHO POR UM TRIZ QUE NÃO MORREU DE SUSTO. ARREPIOU-SE TODO E DISPAROU COMO UM RAIO PARA A TOCA. LÁ CONTOU À MAMÃE AS AVENTURAS DO PASSEIO.
- OBSERVEI MUITA COISA INTERESSANTE - DISSE ELE - MAS NADA ME IMPRESSIONOU TANTO COMO DOIS ANIMAIS QUE VI NO TERREIRO. UM, DE PÊLO MACIO E AR BONDOSO, SEDUZIU-ME LOGO. DEVIA SER UM DESSES BONS AMIGOS DA NOSSA GENTE, E LAMENTEI QUE ESTIVESSE A DORMIR, IMPEDINDO-ME ASSIM DE CUMPRIMENTÁ-LO.
O OUTRO... AI, QUE AINDA ME BATE O CORAÇÃO! O OUTRO ERA UM BICHO FEROZ, DE PENAS AMARELAS, BICO PONTUDO, CRISTA VERMELHA, E ASPECTO AMEAÇADOR. BATEU AS ASAS BARULHENTAMENTE, ABRIU O BICO E SOLTOU UM CÓ-RI-CÓ-CÓ TAMANHO QUE QUASE CAI DE COSTAS. FUGI. FUGI COM QUANTAS PERNAS TINHA, PERCEBENDO QUE DEVIA SER O FAMOSO GATO QUE TAMANHA DESTRUIÇÃO FAZ NO NOSSO POVO.
A MAMÃE-RATA ASSUSTOU E DISSE:
- COMO TE ENGANAS, MEU FILHO! O BICHO DE PÊLO MACIO E AR BONDOSO É QUE É O TERRÍVEL GATO. O OUTRO, BARULHENTO E ESPAVENTADO, DE OLHAR FEROZ E CRISTA RUBRA, O OUTRO, FILHINHO, É O GALO, UMA AVE QUE NUNCA NOS FEZ MAL NENHUM. AS APARÊNCIAS ENGANAM. APROVEITA, POIS, A LIÇÃO E FICA SABENDO QUE - QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO.
MONTEIRO LOBATO

MORAL: "QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO."
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O PINTASSILGO
AO VOLTAR PARA O NINHO, TRAZENDO NO BICO UMA MINHOCA, O PINTASSILGO NÃO ENCONTROU SEUS FILHOTES. ALGUÉM OS HAVIA LEVADO EMBORA DURANTE SUA AUSÊNCIA.
COMEÇOU A PROCURÁ-LOS POR TODA PARTE, CHORANDO E GRITANDO. A FLORESTA INTEIRA ECOAVA SEUS GRITOS, MAS NINGUÉM RESPONDIA.
DIA E NOITE, SEM COMER NEM DORMIR, O PINTASSILGO PROCUROU SEUS FILHOTES, EXAMINANDO TODAS AS ÁRVORES E OLHANDO DENTRO DE TODOS OS NINHOS.
CERTO DIA UM PÁSSARO LHE DISSE:
- ACHO QUE VI SEUS FILHOTES NA CASA DO FAZENDEIRO.
O PINTASSILGO VOOU, CHEIO DE ESPERANÇA, E LOGO CHEGOU À CASA DO FAZENDEIRO. POUSOU NO TELHADO, MAS LÁ NÃO HAVIA NINGUÉM. VOOU PARA O PÁTIO - NINGUÉM.
ENTÃO, LEVANTANDO A CABEÇA, VIU UMA GAIOLA PENDURADA DO LADO DE FORA DE UMA JANELA. OS FILHOTES ESTAVAM PRESOS LÁ DENTRO.
AO VEREM A MÃE SUBINDO PELA GRADE DA GAIOLA, OS FILHOTES COMEÇARAM A PIAR, SUPLICANDO-LHE QUE OS LIBERTASSE. O PINTASSILGO TENTOU QUEBRAR AS GRADES COM O BICO E COM AS PATAS, MAS FOI EM VÃO.
EM SEGUIDA, COM UM GRITO DE GRANDE TRISTEZA, VOOU NOVAMENTE PARA A FLORESTA.
NO DIA SEGUINTE O PINTASSILGO VOLTOU PARA JUNTO DA GAIOLA DENTRO DA QUAL SEUS FILHOTES ESTAVAM PRESOS. FITOU-OS LONGAMENTE, COM O CORAÇÃO CARREGADO DE TRISTEZA. EM SEGUIDA ALIMENTOU-OS UM A UM, ATRAVÉS DAS GRADES, PELA ÚLTIMA VEZ.
LEVARA-LHES UMA ERVA VENENOSA, E OS PASSARINHOS MORRERAM.
- ANTES A MORTE - DISSE O PINTASSILGO - DO QUE PERDER A LIBERDADE.
LEONARDO DA VINCI

MORAL: "ANTES A MORTE DO QUE PERDER A LIBERDADE."
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O JABUTI E A ONÇA
CERTA VEZ, O JABUTI PEGOU A SUA GAITA E TOCOU ASSIM:
- O OSSO DA ONÇA É A MINHA GAITA, IH, IH, IH,...
A ONÇA, QUE PASSAVA POR PERTO, FICOU IRRITADA E CORREU PARA PEGÁ-LO. MAS O JABUTI METEU-SE NUM BURACO ADENTRO E A ONÇA SÓ CONSEGUIU AGARRAR-LHE A PERNA.
O JABUTI DEU UMA RISADA E DISSE:
- PENSA QUE AGARROU MINHA PERNA? AGARROU FOI UMA RAIZ DE PAU!
A ONÇA LARGOU ENTÃO A PERNA DO JABUTI, QUE DEU UMA SEGUNDA RISADA:
- ORA, DONA ONÇA, DE FATO VOCÊ AGORA SOLTOU A MINHA PERNA.
A GRANDE TOLA, AO SABER DISTO, FICOU FURIOSA E DURANTE MUITO TEMPO ESPEROU O JABUTI SAIR. MAS O JABUTI, QUE ERA MUITO PACIENTE, FOI FICANDO, FOI FICANDO, ATÉ A ONÇA DESISTIR E IR EMBORA.

MORAL: "A INTELIGÊNCIA VENCE A FORÇA"
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A CORUJA E A ÁGUIA
CORUJA E ÁGUIA, DEPOIS DE MUITA BRIGA, RESOLVERAM FAZER AS PAZES.
- BASTA DE GUERRA - DISSE A CORUJA. O MUNDO É TÃO GRANDE, E TOLICE MAIOR QUE O MUNDO É ANDARMOS A COMER OS FILHOTES UMA DA OUTRA.
- PERFEITAMENTE - RESPONDEU A ÁGUIA. - TAMBÉM EU NÃO QUERO OUTRA COISA.
- NESSE CASO COMBINEMOS ISSO: DE ORA EM DIANTE NÃO COMERÁS NUNCA OS MEUS FILHOTES.
- MUITO BEM. MAS COMO VOU DISTINGUIR OS TEUS FILHOTES?
- COISA FÁCIL. SEMPRE QUE ENCONTRARES UNS BORRACHOS LINDOS, BEM FEITINHOS DE CORPO, ALEGRES, CHEIO DE UMA GRAÇA ESPECIAL QUE NÃO EXISTE EM FILHOTE DE NENHUMA OUTRA AVE, JÁ SABES, SÃO OS MEUS.
- ESTÁ FEITO! - CONCLUIU A ÁGUIA.
DIAS DEPOIS, ANDANDO À CAÇA, A ÁGUIA ENCONTROU UM NINHO COM TRÊS MONSTRENGOS DENTRO, QUE PIAVAM DE BICO MUITO ABERTO.
- HORRÍVEIS BICHOS! - DISSE ELA. VÊ-SE LOGO QUE NÃO SÃO OS FILHOS DA CORUJA.
E COMEU-OS.
MAS ERAM OS FILHOS DA CORUJA. AO REGRESSAR À TOCA A TRISTE MÃE CHOROU AMARGAMENTE O DESASTRE E FOI JUSTAR CONTAS COM A RAINHA DAS AVES.
- QUÊ? - DISSE ESTA, ADMIRADA. ERAM TEUS FILHOS AQUELES MONSTRINHOS? POIS, OLHA, NÃO SE PARECIAM NADA COM O RETRATO QUE DELES ME FIZESTE...

MORAL: "PARA RETRATO DE FILHO NINGUÉM ACREDITE EM PINTOR PAI.” “
JÁ DIZ O DITADO: QUEM O FEIO AMA, BONITO LHE PARECE."
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O VELHO GALO E A RAPOSA
UM VELHO GALO MATREIRO, PERCEBENDO A APROXIMAÇÃO DA RAPOSA, EMPOLEIROU-SE NUMA ÁRVORE. A RAPOSA, DESAPONTADA, MURMUROU CONSIGO: "DEIXA ESTAR, SEU MALANDRO, QUE JÁ TE CURO!..." E EM VOZ ALTA:
- AMIGO, VENHO CONTAR UMA GRANDE NOVIDADE: ACABOU-SE A GUERRA ENTRE OS ANIMAIS. LOBO E CORDEIRO, GAVIÃO E PINTO, ONÇA E VEADO, RAPOSA E GALINHA, TODOS OS BICHOS AGORA ANDAM AOS BEIJOS, COMO NAMORADOS. DESÇA DESSE POLEIRO E VENHA RECEBER O MEU ABRAÇO DE PAZ E AMOR.
- MUITO BEM! - EXCLAMOU O GALO. NÃO IMAGINA COMO TAL NOTÍCIA ME ALEGRA! QUE BELEZA VAI FICAR O MUNDO, LIMPO DE GUERRAS, DESLEALDADES E TRAIÇÕES! VOU JÁ DESCER PARA ABRAÇAR A AMIGA RAPOSA, MAS... COMO LÁ VÊM VINDO TRÊS CACHORROS, ACHO BOM ESPERÁ-LOS, PARA QUE TAMBÉM ELES TOMEM PARTE NA CONFRATERNIZAÇÃO.
AO OUVIR FALAR EM CACHORRO DONA RAPOSA NÃO QUIS SABER DE HISTÓRIAS, E TRATOU DE PÔR-SE AO FRESCO, DIZENDO:
- INFELIZMENTE, AMIGO CÓ-RI-CÓ-CÓ, TENHO PRESA E NÃO POSSO ESPERAR PELOS AMIGOS CÃES. FICA PARA OUTRA VEZ A FESTA, SIM? ATÉ LOGO.
E RASPOU-SE.

MORAL: "CONTRA ESPERTEZA, ESPERTEZA E MEIA."
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LIÇÃO DE ESPERTEZA
UM DIA UM PICA-PAU, DEPOIS DE MUITO VOAR, SENTIU SEDE.
POUSOU EM UM TELHADO, OLHOU EM VOLTA, E NÃO VIU NEM SOMBRA DE ÁGUA. CANSADO E SEDENTO COMO ESTAVA, JÁ SE PREPARAVA PARA VOAR, QUANDO VIU UMA GARRAFA CHEIA DE ÁGUA NA VARANDA DE UMA CASA PRÓXIMA. QUANDO FOI BEBE - QUE DECEPÇÃO! A ÁGUA SÓ CHEGAVA ATÉ O GARGALO E SEU BICO PEQUENINO NÃO CHEGAVA ATÉ ELA.
PÔS-SE A DAR BICADAS NA GARRAFA PARA FAZER UM BURAQUINHO, MAS EM VÃO, POIS, O VIDRO ERA MAIS DURO DO QUE O SEU BICO. TENTOU, ENTÃO, TOMBAR A GARRAFA, ENTORNAR A ÁGUA, MAS A GARRAFA ERA MUITO PESADA. DESISTIU DE TUDO E ENCARAPITOU-SE NO CORRIMÃO DA VARANDA PARA PENSAR UM MEIO MELHOR. O PICA-PAU ERA TEIMOSO, QUANDO QUERIA UMA COISA QUERIA MESMO...
COMEÇOU A PENSAR, A PENSAR... DE REPENTE, BATEU AS ASAS DE CONTENTE: TINHA ACHADO A SOLUÇÃO PARA O PROBLEMA. E PÔS-SE A EXECUTÁ-LA. APANHOU COM O BICO UMA PEDRINHA NO CHÃO E DEIXOU-A CAIR DENTRO DA GARRAFA; VOLTOU A APANHAR OUTRA, LOGO APANHOU A TERCEIRA E, ASSIM, CONTINUOU DEIXANDO CAIR PEDRINHAS DENTRO DA GARRAFA. A ÁGUA FOI SUBINDO, SUBINDO, ATÉ QUE CHEGOU À BOCA. ENTÃO, O PICA-PAU PÔDE BEBER À VONTADE.
MORAL: "PACIÊNCIA E RACIOCÍNIO TUDO VENCEM."
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A RAPOSA E O JAVALI
ESTAVA UM JAVALI NA FLORESTA A AFIAR OS DENTES NUMA ÁRVORE, QUANDO APARECEU UMA RAPOSA. VENDO O QUE O JAVALI ESTAVA A FAZER, PERGUNTOU-LHE:
- POR QUE ESTÁS A AFIAR OS DENTES? OS CAÇADORES NÃO SAÍRAM HOJE E NÃO VEJO OUTRO PERIGO POR PERTO.
- É VERDADE, MINHA AMIGA - RESPONDEU O JAVALI. - MAS, NO MOMENTO EM QUE A MINHA VIDA CORRER PERIGO PRECISO DE USAR OS DENTES E, ENTÃO, SERÁ TARDE DEMAIS PARA OS AFIAR.
MORAL DA HISTÓRIA: PREPARA-TE PARA AS DIFICULDADES.
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A FORMIGA E A POMBA
UMA FORMIGA FOI À MARGEM DO RIO PARA BEBER ÁGUA E, SENDO ARRASTADA PELA FORTE CORRENTEZA, ESTAVA PRESTES A SE AFOGAR.
UMA POMBA QUE ESTAVA NUMA ÁRVORE SOBRE A ÁGUA, ARRANCOU UMA FOLHA E A DEIXOU CAIR NA CORRENTEZA PERTO DELA. A FORMIGA SUBIU NA FOLHA E FLUTUOU EM SEGURANÇA ATÉ A MARGEM.
POUCO TEMPO DEPOIS, UM CAÇADOR DE PÁSSAROS VEIO POR BAIXO DA ÁRVORE E SE PREPARAVA PARA COLOCAR VARAS COM VISGO PERTO DA POMBA QUE REPOUSAVA NOS GALHOS ALHEIA AO PERIGO.
A FORMIGA, PERCEBENDO SUA INTENÇÃO, DEU-LHE UMA FERROADA NO PÉ. ELE REPENTINAMENTE DEIXOU CAIR SUA ARMADILHA E, ISSO DEU CHANCE PARA QUE A POMBA VOASSE PARA LONGE A SALVO. MORAL DA HISTÓRIA: QUEM É GRATO DE CORAÇÃO SEMPRE ENCONTRARÁ OPORTUNIDADES PARA MOSTRAR SUA GRATIDÃO.
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O CARVALHO E OS JUNCOS
UM GRANDE CARVALHO FOI ARRANCADO DO CHÃO PELA VENTANIA E ARRASTADO POR FORTE CORRENTEZA. ENTÃO DENTRO DA ÁGUA ELE SE VIU NO MEIO DE ALGUNS JUNCOS, E, ASSIM LHES FALOU:
- GOSTARIA DE SER COMO VOCÊS QUE DE TÃO ESGUIOS E FRÁGEIS NÃO SÃO DE MODO ALGUM AFETADOS POR ESTES FORTES VENTOS.
ELES RESPONDERAM:
- VOCÊ LUTOU E COMPETIU COM O VENTO, E, CONSEQUENTEMENTE FOI DESTRUÍDO. NÓS, AO CONTRÁRIO, NOS CURVAMOS DIANTE DO MAIS LEVE SOPRO DE AR, E, POR ESTA RAZÃO PERMANECEMOS INTEIROS E A SALVO.
MORAL DA HISTÓRIA: PARA VENCERMOS O MAIS FORTE, NÃO DEVEMOS USAR A FORÇA E SIM A GENTILEZA E A HUMILDADE.
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O FILHOTE DE CERVO E SUA MÃE
CERTA VEZ UM JOVEM CERVO CONVERSAVA COM SUA MÃE:
- MÃE VOCÊ É MAIOR QUE UM LOBO, É TAMBÉM MAIS VELOZ E POSSUI CHIFRES PODEROSOS PARA SE DEFENDER, POR QUE ENTÃO VOCÊ OS TEME TANTO?
A MÃE AMARGAMENTE SORRIU E DISSE:
- TUDO QUE VOCÊ FALOU É VERDADE MEU FILHO, MESMO ASSIM QUANDO EU ESCUTO UM SIMPLES LATIDO DE LOBO, ME SINTO FRACA E SÓ PENSO EM CORRER O MAIS QUE PUDER.
MORAL DA HISTÓRIA: PARA A MAIORIA DAS PESSOAS, É MAIS CÔMODO CONVIVER COM SEUS MEDOS E FRAQUEZAS, MESMO SABENDO QUE PODEM SUPERÁ-LOS.
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UM ASNO EM PELE DE LEÃO
UM ASNO, TENDO COLOCADO SOBRE SEU CORPO UMA PELE DE LEÃO, VAGOU PELA FLORESTA E DIVERTIA-SE COM O PAVOR DOS ANIMAIS QUE IA ENCONTRANDO PELO SEU CAMINHO.
POR FIM ENCONTROU UMA RAPOSA, E, ELE TENTOU AMEDRONTÁ-LA TAMBÉM. MAS RAPOSA TÃO LOGO ESCUTOU O SOM DE SUA VOZ, EXCLAMOU:
- EU PROVAVELMENTE TERIA ME ASSUSTADO, SE ANTES NÃO TIVESSE ESCUTADO SEU ZURRO.
MORAL DA HISTÓRIA: UM TOLO PODE SE ESCONDER COM BELAS ROUPAS, MAS SUAS PALAVRAS DIRÃO A TODOS QUEM NA VERDADE É.
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O GALO E A PEDRA PRECIOSA
UM GALO QUE PROCURAVA NO TERREIRO ALIMENTO PARA ELE E SUAS GALINHAS ENCONTROU UMA PEDRA PRECIOSA DE GRANDE BELEZA E VALOR, AO QUE EXCLAMOU:
- SE SEU DONO TIVESSE TE ENCONTRADO AO INVÉS DE MIM, ELE COM CERTEZA IRIA DANÇAR E PULAR DE ALEGRIA E TAMBÉM DECERTO IRIA TE LOUVAR; NO ENTANTO EU TE ACHEI E DE NADA ME SERVES. TERIA PREFERIDO ACHAR UM SIMPLES GRÃO DE MILHO QUE TODAS AS JÓIAS DO MUNDO!
MORAL DA HISTÓRIA: A NECESSIDADE DE CADA UM É O QUE DETERMINA O REAL VALOR DAS COISAS.
COLEI ESTAS FÁBULAS EM CARTOLINA, ENCAPEI COM PLÁSTICO PARA QUE OS ALUNOS POSSAM MANUSEÁ-LAS SEM AMASSAR OU RASGAR. ELES FAZEM LEITURA SILENCIOSA, ORAL, EM DUPLA. PEÇO TAMBÉM PARA TENTEM IDENTIFICAR UM OUTRA MORAL NA HISTÓRIA, QUE ESCREVAM UM NOVO FINAL.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Caderno de leitura - Tipos de textos

TEXTOS ENUMERATIVOS
Escrevemos e lemos para recordar, registrar, localizar, manipular, ordenar, classificar, etc. dados concretos e/ou informações específicas.
Exemplos:
Nomes,
Títulos
Listas
Agendas e guias (telefônicos, endereços, etc)
Índices (livros, revistas, etc)
Horários e datas
Cartazes (cardápio, aniversariantes, ajudantes)
Catálogos (comerciais, exposição, etc)
Dicionários, enciclopédias, atlas, etc.

TEXTOS INFORMATIVOS
Escrevemos e lemos para informar e nos informar sobre temas gerais, acontecimentos, fatos, etc. Exemplos:
Convites
Rótulos
Cartazes (murais)
Folhetos (divulgação)
Notícias, artigos e reportagens
Anúncios e propaganda
Correspondência (bilhete, carta, cartão, etc)
Diários (da criança, da turma)
Entrevistas

TEXTOS LITERÁRIOS
Escrevemos e lemos para desenvolver a sensibilidade artística; partilhar emoções, transmitir valores culturais, sociais e morais; entretenimento e diversão.
Exemplos:
Narrativas: fábulas, lendas e mitos
Narrativas: contos
Outras narrativas curtas
Narrativas: novela e romance
Parlenda, trava-língua, quadra, provérbio, adivinha
Poético (poesia, prosa rimada, poema narrativo)
Livro de imagem
Teatro
Histórias em quadrinhos

TEXTOS EXPOSITIVOS
Escrevemos e lemos para estudar, aprender, ensinar, demonstrar; comunicar conhecimentos; discutir idéias, etc.
Exemplos:
Livro-texto (escolar)
Livros de consulta: enciclopédias, etc.
Biografias
Artigos temáticos e relatórios
Variados: resumo, roteiro, seminário, etc.

TEXTOS PRESCRITIVOS
Escrevemos e lemos para ensinar e aprender a fazer coisas; comunicar instruções; regular o comportamento, etc.
Exemplos:
Receitas
Regras: combinados, códigos, etc.
Instruções (jogo, trabalhos manuais, utilização, etc)

É importante planejar atividades de leitura e escrita que permitam à criança conhecer, experimentar, vivenciar e produzir os textos presentes no seu dia-a-dia, em casa e na escola.
Só poderemos aproveitar esses momentos, se tivermos conhecimento dos conteúdos.
Conhecer a tipologia textual deve fazer parte do acervo pedagógico do professor(a) desde a Educação Infantil

10 Sugestões para trabalhar com textos


1.Texto em tiras
a) Selecione um texto curto e escreva-o em tiras de papel pardo. Cada frase ou parte do texto deverá estar escrito em uma tira.
b) Divida a turma em grupos.
c) Distribua uma ou mais tiras para cada elemento do grupo - de forma desordenada - e peça para que o grupo o reconstrua no chão, de preferência no corredor ou pátio da escola. Essa atividade é sócio-interativa e promove a participação de todos na reorganização do texto. Também é uma forma de tirá-los das cadeiras e mudar o ambiente de aprendizagem.

2. Horóscopo
a) Selecione do jornal os horóscopos de todos os signos.
b) Pegue o corretivo e, aleatoriamente, dê umas pinceladas nele. Cuide para que haja um apagamento em cada signo.
c) Tire o xerox e dê para cada dupla recompor os textos que foram apagados. Poderá, antes, fazer um aquecimento, perguntando quem acredita em horóscopo, quando costuma lê-lo, se alguma vez já deu certo a previsão feita pelo horoscopista...

3. Anedotas
Selecione algumas piadas de salão e, em duas colunas, divida as piadas ao meio: o início da piada na primeira coluna e na outra - de forma desencontrada - o final das piadas. Os alunos deverão ler e combinar os textos humorísticos.
Sugestão: Convide os alunos a formarem duplas e encenarem as piadas para a turma.

4. Tiras em Quadrinhos
a)Recorte algumas tiras de histórias em quadrinhos.
b) Cole-as em uma folha com as partes desencontradas.
c) Os alunos deverão lê-las e reorganizá-las de forma apropriada.

5. Outra com tiras
a) Recorte novas tiras de histórias em quadrinhos e cole em uma folha, porém na ordem certa.
b) Com o corretivo, apague as falas.
c) Peça que os alunos completem da melhor maneira possível de forma que a história tenha coerência. Esse trabalho poderá ser feito em duplas.

6. Ache a foto da notícia
a) Recorte várias notícias com fotos do jornal. Elimine as legendas.
b) Separe as fotos das notícias.
c) Desafie o grupo a encontrar o par (notícia + foto).

7. A Notícia Completa
a) Recorte várias notícias de jornal que tenham as quatro partes fundamentais: título/manchete, lead, corpo, e foto com legenda.
b)Desmembre as notícias, recortando as partes de cada uma.
c) Embaralhe tudinho e peça ao grupo para reorganizá-las novamente.

8.Texto Quebra-cabeças
a) Recorte alguns textos (tantos quantos forem os grupos com os quais você irá trabalhar). Os textos poderão ser coloridos para motivá-los.
b)Faça marcações de forma desorganizada nos textos (tal qual nos quebra-cabeças) e recorte-os.
c) Ofereça-os aos grupos para que os montem novamente. Você poderá ter em mãos algumas perguntas de interpretação para que o grupo responda, dando conta do entendimento da leitura que fizeram. Também poderá ser feita em forma de gincana: o grupo que primeiro responder corretamente a todas as perguntas será o vencedor.

9. Charges
Ler charges de jornal é uma forma divertida de se manter atualizado.
a) Recorte as charges que encontrar pelos jornais.
b) Distribua-as para os grupos e peça para fazerem a leitura do momento, discutindo o acontecimento que está sendo abordado, além de tentar identificar as pessoas que estão sendo focalizadas.
c) Troque com os outros grupos de forma que todos possam fazer as várias leituras.
d) Compare as diferenças que forem surgindo.

10.Lendo figuras
a) Selecione figuras - pode ser de jornal também - que apresentem uma situação passível de se criar um enredo. Explique que uma boa história deve, necessariamente, ter um conflito, senão não é uma história.
b) Peça para que cada um faça a sua leitura do texto extra-verbal silenciosamente.
c) Solicite que, nesse segundo momento, contem para o colega do lado que leitura fizeram e como resolveram o conflito que imaginaram para aquela figura . É importante que cada um fale.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As mil e uma noites

Quem nunca ouviu falar nas “Mil e uma Noites”? Você sabe o que essa expressão significa?

As Mil e uma Noites é o título de uma das mais famosas obras da literatura árabe, é composta por uma coleção de contos escritos entre os séculos XIII e XVI.
O que deixa o leitor interessado em ler todos os contos é o fato deles serem interligados, isto é, um é complemento do outro. A obra conta a história do rei Périsa, da Pérsia, que traído pela esposa mandou matá-la, desse momento em diante decidiu passar cada noite com uma mulher diferente, que era degolada na manhã seguinte. Dentre as várias mulheres que desposou Sherazade foi a mais esperta, iniciou um conto que despertou o interesse do rei em ouvir a continuação da história na noite seguinte.
Com sua esperteza, Sherazade escapou da morte e, para continuar vivendo, escreveu mil e uma noites. As Mil e uma Noites se tornou conhecida no ocidente a partir de 1704, graças ao orientalista francês Antoine Galland. O livro passou por diversas adaptações, a versão atual se baseia nas traduções de Sir Richard Burton e Andrew Lang, nessa as cenas mais “ardentes” foram eliminadas ou modificadas, ganhando um contexto menos sexual.
Praticamente todas as histórias se passam na região que corresponde ao Egito e a Pérsia.

Por Eliene Percília
Equipe Brasil Escola

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A BICHARADA ATRAPALHADA

NUM LUGAR MUITO DISTANTE
ATRÁS DO MORRO MOLHADO
EXISTE UMA FLORESTA
ONDE TUDO É TROCADO.

OS ANIMAIS SÃO DIFERENTES
NUNCA VI NENHUM IGUAL
E TODOS VIVEM CONTENTES
POIS ACHAM TUDO NORMAL.

A ZEBRA É TODA PINTADA
E A GIRAFA LISTRADA
O MACACO NÃO TEM CAUDA
O ELEFANTE É BEM MAGRO.

A ONÇA ANDA BEM DEVAGAR
O HIPOPÓTAMO CORRE SEM PARAR
O COELHO ANDA SE ARRASTANDO
E A TARTARUGA SALTANDO.

PAPAGAIO NÃO SABE FALAR
E O PAVÃO VIVE A TAGARELAR
OS PEIXES SABEM VOAR
E OS PASSARINHOS A NADAR.

AVESTRUZ NÃO SABE CORRER
A CORUJA PODE MORDER
O PATO SABE CACAREJAR
E A CIGARRA VIVE A PIAR.

QUEM POR ALI PASSAR
VAI FICAR ADMIRADO
DE VER QUE NUMA FLORESTA
SÓ TEM BICHO ATRAPALHADO.

SOLANGE VALADARES

POR QUE CONTAMOS HISTÓRIAS?

Contos de Fadas alimentam o imaginário humano. Sem esse alimento ficamos desnutridos.
Contamos histórias porque somos humanos, contadores inatos, congênitos.
Porque temos fome da imaterialidade dos sonhos. De subjetividade. De grandeza. Amor.
Detalhes, desafios, ternura.
Temos fome de reinventar a mesmice. Embelezar o cotidiano. Dançar com as fadas. Além do bem, além do mal, Com uma carga de lirismo e uma dose cavalar de loucura.
Para isso que existimos, para termos uma história só nossa. Uma história escrita com o rastro fosforescente de nossos pés.
Quem conta uma história acende uma luz atrás do véu da realidade e conta um segredo, sussurra e revela uma verdade, várias verdades fantasiadas de mentiras.
Um contador de histórias lúcido sabe que um castelo erguido no imaginário de uma criança possui uma arquitetura tão arrojada que nenhum tesouro do mundo real seria capaz de custear a sua construção. Por isso ele investe no enriquecimento do universo interior da criança. Agindo dessa forma, ele contribui para erradicar a miséria emocional e espiritual do homem.

PARA O SONHADOR QUE EDUCA E TAMBÉM PARA O EDUCADOR QUE SONHA

Contar histórias para as crianças mostra-se uma alternativa para a resolução de problemas sociopolíticos, econômicos e de ordem humana. Um adulto que construiu na sua infância um império interior não precisa pisar em seus semelhantes para edificar, de forma ilícita, impérios exteriores. Ele consegue estabelecer limites porque os seus valores éticos permitem a ele discernir o que realmente tem valor para si, razão pela qual conta muito para ele a forma de alcançar a prosperidade. Dificilmente esse adulto que ouviu histórias na infância ficará lutando com moinhos de vento, abusando do poder e ferindo as aspirações sociais da própria democracia em detrimento de um individualismo egoístico levado às ultimas conseqüências.

Extraído do livro "Contos de Fadas" de Jonas Ribeiro