terça-feira, 5 de julho de 2011

Chapeuzinho e Borralheira segundo Perrault

Luzinha, atendendo a seu pedido estou disponibilizando a versão de Chapeuzinho e de Gata Borralheira segundo Charles Perrault.


O CHAPEUZINHO VERMELHO
Charles Perrault


Havia, numa cidadezinha, uma menina que todos achavam muito bonita. A mãe era doida por ela e a avó mais ainda. Por isso, sua avó lhe mandou fazer um pequeno capuz vermelho que ficava muito bem na menina. Por causa dele, ela ficou sendo chamada, em toda parte, de Chapeuzinho Vermelho.
Um dia em que sua mãe tinha preparado umas tortas, disse para ela:
 – Vai ver como está passando tua avó, pois eu soube que ela anda doente. Leva uma torta e um potezinho de manteiga.
Chapeuzinho Vermelho saiu em seguida para ir visitar sua avó que morava em outra cidadezinha.
Quando atravessava o bosque, ela encontrou compadre Lobo que logo teve vontade de comer a menina. Mas não teve coragem por causa de uns lenhadores que estavam na floresta.
O Lobo perguntou aonde ela ia. A pobrezinha, que não sabia como é perigoso parar para escutar um Lobo, disse para ele:
  – Eu vou ver minha avó e levar para ela uma torta e um potezinho de manteiga que minha mãe está mandando.
– Ela mora muito longe? – perguntou o Lobo.
– Oh! sim, – respondeu Chapeuzinho Vermelho. – É pra lá daquele moinho que você está vendo bem lá embaixo. É a primeira casa da cidadezinha.
– Pois bem, – disse o Lobo, – eu também quero ir ver sua avó. Eu vou por este caminho daqui e você vai por aquele de lá. Vamos ver quem chega primeiro.
O Lobo pôs-se a correr com todo sua força pelo caminho mais curto. A menina foi pelo caminho mais longo, distraindo-se a comer avelãs, correndo atrás das borboletas e fazendo ramalhetes com as florzinhas que encontrava.
O Lobo não levou muito tempo para chegar à casa da avó. Bateu na porta: toc, toc.
– Quem está aí?
– É sua neta, Chapeuzinho Vermelho – disse o Lobo, mudando a voz. Eu lhe trago uma torta e um potezinho de manteiga que minha mãe mandou pra você.
A bondosa avó, que estava na cama porque não passava muito bem, gritou:
– Puxe a tranca que o ferrolho cairá.
O Lobo puxou a tranca e a porta se abriu. Ele avançou sobre a pobre mulher e devorou-a num instante, pois fazia mais de três dias que não comia. Em seguida, fechou a porta e foi se deitar na cama da avó. Ficou esperando Chapeuzinho Vermelho que, um pouco depois, bateu na porta: toc, toc.
– Quem está aí?
Chapeuzinho Vermelho, ao escutar a voz grossa do Lobo, teve medo, mas pensando que a voz de sua avó estava diferente por causa do resfriado, respondeu:
– É sua neta, Chapeuzinho Vermelho, que traz uma torta pra você e um potezinho de manteiga que minha mãe lhe mandou.
O Lobo gritou para ela, adocicando um pouco a voz:
– Puxe a tranca que o ferrolho cairá.
Chapeuzinho Vermelho puxou a tranca e a porta se abriu.
O Lobo, vendo que ela tinha entrado, escondeu-se na cama, debaixo da coberta, e falou:
– Ponha a torta e o potezinho de manteiga sobre a caixa de pão e venha se deitar comigo.
Chapeuzinho Vermelho tirou o vestido e foi para a cama, ficando espantada de ver como sua avó estava diferente ao natural. Disse para ela:
– Minha avó, como você tem braços grandes!
– É pra te abraçar melhor, minha filha.
– Minha avó, como você tem pernas grandes!
– É pra correr melhor, minha menina.
– Minha avó, como você tem orelhas grandes!
– É pra escutar melhor, minha menina.
– Minha avó, como você tem olhos grandes!
– É pra ver melhor minha menina.
– Minha avó, como você tem dentes grandes!
– É pra te comer.
E dizendo estas palavras, o Lobo saltou pra cima de Chapeuzinho Vermelho e a devorou.

MORAL

Vimos que os jovens,
Principalmente as moças,
Lindas, elegantes e educadas,
Fazem muito mal em escutar
Qualquer tipo de gente,
Assim, não será de estranhar
Que, por isso, o lobo as devore.
Eu digo o lobo porque todos os lobos
Não são do mesmo tipo.
Existe um que é manhoso
Macio, sem fel, sem furor.
Fazendo-se de íntimo, gentil e adulador,
Persegue as jovens moças
Até em suas casas e seus aposentos.
Atenção, porém!
As que não sabem
Que esses lobos melosos
De todos eles são os mais perigosos.


Cinderela; ou A Pequena Sandália de Cristal

por Charles Perrault


Havia um cavalheiro que se casou, pela segunda vez, com a mulher mais orgulhosa e arrogante já vista. Ela tinha, de seu marido anterior, duas filhas que eram, de fato, exatamente como ela em tudo. Ele também tinha, de sua outra esposa, uma jovem filha, mas de uma bondade e doçura de temperamento sem paralelo, que ela havia herdado de sua mãe que fora a melhor criatura do mundo.
Nem bem terminaram as cerimônias do casamento e a madrasta começou a mostrar sua verdadeira face. Ela não conseguia suportar as qualidades desta bela garota, até porque elas faziam suas próprias filhas parecerem ainda mais odiosas. Ela a colocou nos piores trabalhos da casa. Ela lavava as louças, mesas, etc., e limpava os quartos da madame e de suas donzelas, as filhas dela. Ela dormia em um triste sótão, em uma miserável cama de palha, enquanto suas irmãs dormiam em bons quartos, com um piso todo ornado, em camas que estavam na última moda, e onde elas tinham espelhos tão grandes que podiam se ver inteiras, da cabeça aos pés.
A pobre menina suportava tudo pacientemente, e não ousava dizer a seu pai, que a teria censurado já que sua esposa o dominava completamente. Quando terminava seu trabalho, ela costumava ir para o canto da chaminé e sentar-se junto às cinzas. Por isso a chamavam de rameira das cinzas. Só sua irmã mais jovem, que não era tão rude e incivilizada como a mais velha, a chamava de Cinderela, que quer dizer garota das cinzas. Entretanto, a Cinderela, não obstante suas vestes grosseiras, era cem vezes mais bonita que suas irmãs, mesmo elas sempre estando ricamente vestidas.
Aconteceu que o filho do rei ofereceu um baile, e convidou todas as pessoas de estilo a irem. Nossas jovens donzelas também foram convidadas porque formavam uma grande figura entre os de qualidade. Elas estavam deliciadas com este convite, e maravilhosamente ocupadas escolhendo os vestidos, anáguas e penteados que melhor cairiam nelas. Isto era mais uma dificuldade para a Cinderela; é que era ela quem passava o linho de suas irmãs e dobrava suas pregas. Elas só falavam, o dia todo, de como deveriam se vestir.
"De minha parte", disse a mais velha, "vou usar meu conjunto de veludo vermelho com enfeites franceses".
"E eu", disse a mais nova "devo usar meu saiote; mas então, para compensar, vou pôr minha capa com flores de ouro, e meu cinto com diamantes, que está longe de ser o mais comum do mundo."
Elas mandaram chamar o melhor cabeleireiro que conseguiram para fazer seus penteados e enfeites, e elas usaram suas escovas vermelhas da Madame de la Poche.
Elas também consultaram a Cinderela sobre todas estas questões já que ela tinha excelentes idéias , e seus conselhos eram sempre bons. De fato, ela até ofereceu seus serviços para consertar seus cabelos, o que elas aceitaram com prazer. Enquanto ela estava ajudando elas disseram para ela "Cinderela, você não gostaria de ir ao baile?"
"Ah!" ela disse, "vocês só estão zombando de mim; até parece que eu iria a um lugar como este."
"Você está muito certa", elas responderam. "Todos iriam rir de ver uma rameira das cinzas em um baile".
Qualquer um teria deixado seus cabelos tortos, um menos a Cinderella, ela era muito boa e os arrumou perfeitamente bem. Elas estavam tão excitadas que não tinham comido nada por quase dois dias. Então elas arrebentaram mais de uma dúzia de espartilhos tentando apertar firme o suficiente para lhes dar uma bela forma esbelta. Elas estavam continuamente em frente a seus espelhos. Finalmente o dia feliz chegou. Elas foram para a corte e a Cinderela as seguiu com seus olhos o quanto pôde. Quando ela as perdeu de vista começou a chorar.
Sua madrinha, que a viu em prantos, perguntou qual era o problema.
"Eu queria tanto. Eu queria tanto". Ela não era capaz de dizer o resto porque era interrompida por suas lágrimas e soluços.
Esta madrinha dela, que era uma fada, disse para ela, "Você gostaria de poder ir ao baile, não é verdade?"
"Sim", disse Cinderela, com um grande suspiro.
"Bem", disse sua madrasta, "apenas seja uma boa garota, e eu vou arrumar um jeito para você ir". Então ela a levou para seu quarto e disse a ela "Corra para o jardim e me traga uma abóbora."
Cinderela foi imediatamente buscar a melhor que pôde encontrar e a trouxe para sua madrinha, mesmo sem ser capaz de imaginar como esta abóbora poderia ajudá-la a ir ao baile. Sua madrinha jogou fora todo o conteúdo, não deixando nada além da casca. Tendo feito isto, ela bateu na abóbora com sua varinha e ela se transformou instantaneamente em uma boa carruagem, toda ornada em ouro.
Ela então foi olhar em sua ratoeira, onde ela encontrou seis ratinhos, todo vivos, e ordenou que a Cinderela levantasse um pouco a porta da ratoeira. Ela deu para cada ratinho, conforme saíam, uma batidinha com sua varinha e os ratinhos iam se transformando na hora em belos cavalos, que juntos compunham um conjunto de seis cavalos salpicados de lindas pintas cinzas da cor dos ratinhos.
Só está faltando o cocheiro, disse a Cinderela, "Eu vou ver se não há um ratinho na ratoeira que possa ser transformado em um cocheiro."
"Isso mesmo", disse a madrinha, "Vá dar uma olhada".
A Cinderela trouxe a ratoeira para ela, e dentro havia três grandes ratos. A fada escolheu o que tinha a maior barba e o tocou com a varinha, transformando-o em um cocheiro gordo e feliz, que tinha os bigodes mais elegante jamais vistos.
Depois disso, ela lhe disse, "Vá novamente ao jardim, e você encontrará seis lagartos atrás do regador. Traga-os para mim."
Nem bem ela os tinha trago e a madrinha os tornou em seis criados, que saltaram imediatamente para trás do cocheiro, com suas fardas enfeitadas com ouro e prata, e juntaram-se tão próximos uns aos outros que era como se eles nunca tivessem feito outra coisa em suas vidas. A fada então disse para a Cinderela, "Bem, temos aqui um tudo o que você precisa para ir ao baile; você não está feliz com isso?"
"Ah, sim" ela disse; "mas eu tenho que ir com estes trapos nojentos?"
Sua madrinha então a tocou com sua varinha e, no mesmo instante, suas roupas se tornaram de ouro e prata, decoradas com suas jóias. Isto feito, ela entregou a ela um par de sandálias, as mais bonitas de todo o mundo. Estando toda elegante, ela subiu na carruagem; mas sua madrinha, acima de tudo, ordenou que ela não demorasse além da meia noite, dizendo a ela, ao mesmo tempo, que se ela ficasse um momento a mais, a carruagem voltaria a ser uma abóbora, seu cavalos, ratos, seu cocheiro um rato, seus criados lagartos, e aquelas suas roupas voltariam a ser como eram.
Ela prometeu a sua madrinha sair do baile antes da meia noite; e então saiu. Ela mal podia se conter de tanta alegria. O filho do rei, que tinha sido avisado de que uma grande princesa, que ninguém conhecia, tinha chegado, correu para recebê-la. Ele deu a ela sua mão para que desembarcasse da carruagem e a levou para o foyer, em meio a todos os convidados. Houve imediatamente um profundo silêncio. Todos pararam de dançar. Os violinos cessaram de tocar. Todos estavam deslumbrados com a singular beleza da recém chegada.
Não se escutava nada além de um cochichos confusos de, "Como ela é linda! Como ela é linda!"
O próprio rei, velho como era, não conseguia parar de olhar para ela, e disse à rainha docemente que fazia muito tempo que ele não via uma criatura tão bonita e amável.
Todas as senhoras estavam ocupadas estudando suas roupas e penteados, com a esperança de que fazer para si no dia seguinte outros com o mesmo padrão, se conseguissem encontrar materiais tão finos e mão tão habilidosas.
O filho do rei deixou para ela o mais honroso dos assentos, e depois a retirou para dançar com ele. Ela dançou tão graciosamente que eles a admiravam mais e mais. Um belo jantar foi servido, mas o jovem príncipe não comeu nem um bocado de tanto que estava ocupado fitando ela.
Ela foi se sentar com suas irmãs, demonstrando mil e uma cortesias, dando parte das laranjas e mixiricas com as quais o príncipe a havia presenteado, o que as surpreendeu muito, porque não a reconheceram. Enquanto a Cinderela estava assim entretendo suas irmãs, ela ouviu o relógio bater onze e quarenta e cinco, pelo que ela imediatamente fez uma cortesia a sua companhia e apressou-se a sair tão rápido quanto pôde.
Chegando em casa ela correu para procurar sua madrinha e, após a ter agradecido, ela disse que não podia evitar pedir, de todo coração, que pudesse ir novamente ao baile no dia seguinte, porque o filho do rei a havia convidado.
Enquanto ela estava contando avidamente a sua madrinha tudo o que tinha acontecido no baile, suas duas irmãs bateram na porta. Cinderela correu e abriu.
"Vocês ficaram tanto tempo!" ela disse, bocejando, roçando seus olhos e se esticando como se estivesse dormindo; ela não tinha, entretanto, tido qualquer intenção de dormir enquanto elas estiveram fora de casa.
"Se você tivesse estado no baile", disse uma de suas irmãs, "você não teria se cansado dele. A mais fina princesa estava lá, a mais bonita em que qualquer mortal já pôs os olhos. Ela nos fez mil e uma cortesias e nos deu laranjas e mixiricas."
A Cinderela parecia muito indiferente sobre isso. De fato, ela perguntou a elas o nome da princesa; mas elas disseram que não sabiam, e que o filho do rei estava muito intrigado com ela e daria tudo no mundo para saber quem ela era. Com isto a Cinderela respondeu sorrindo, "Ela deve, então, ser mesmo muito bonita; como vocês tiveram sorte! Será que eu poderia vê-la? Ah, querida Charlotte, me empresta aquele seu vestido amarelo que você usa todos os dias."
"Sim, é claro!" disse Charlotte; "emprestar minhas roupas para uma rameira das cinzas como você! Só se eu fosse muito tola."
A Cinderela, de fato, bem que esperava uma resposta assim, e estava feliz com a recusa; porque ela o vestiria com tristeza se sua irmã tivesse emprestado o que ela tinha pedido de brincadeira.
No dia seguinte as duas irmãs estavam no baile, bem como a Cinderela, mas vestida de uma forma ainda mais magnífica que antes. O filho do rei estava sempre do lado dela, e seus elogios e palavras doces a ela nunca cessavam. Tudo isto era tudo, menos cansativo, para ela e, de fato, ela até se esqueceu daquilo que sua madrinha havia dito. Ela pensava que não passava das onze quando ela contou o relógio bater doze. Ela saltou e fugiu, ágil como uma gazela. O príncipe a seguiu, mas não conseguiu alcançá-la. Ela deixou uma de suas sandálias de cristal, que o príncipe pegou com o maior dos cuidados. Ela chegou em casa, mas sem fôlego e em suas roupas sujas, não tendo nada mais de seus adornos senão uma de suas sandálias, o par daquela que ela havia deixado cair.
Os guardas no portão do palácio foram perguntados se não viram uma princesa sair. Eles responderam que não haviam visto ninguém a não ser uma jovem, muito esfarrapada, e que tinha mais a aparência de uma pobre camponesa do que de uma nobre.
Quando as duas irmãs voltaram do baile a Cinderela perguntou a elas se elas tinham se divertido, e se a bela dama havia estado lá.
Disseram que sim, mas que ela fugiu imediatamente quando bateu meia-noite, e com tanta pressa que deixou cair uma de suas pequenas sandálias de cristal, a mais bonita de todo o mundo, que o filho do rei pegou; que ele não fez nada além de olhar para ela durante todo o baile, e que certamente ele estava muito apaixonado pela bela pessoa que era dona da sandália de cristal.
O que elas disseram era verdade; porque alguns dias depois o filho do rei fez que se proclamasse, com o som de trombetas, que ele se casaria com aquela cujo pé servisse perfeitamente àquela sandália. Eles começaram a experimentar com as princesas, então as duquesas e toda a côrte, mas em vão; a sandália foi trazida às duas irmãs, que fizeram tudo o que puderam para forçar seus pés a entrar na sandália, mas não conseguiram.
A Cinderela, que viu tudo isto, e sabia que era sua sandália, disse a elas, rindo, "Deixe-me ver se não me serve".
Suas irmãs caíram na gargalhada e começaram a zombar dela. O nobre que fôra enviado para experimentar a sandália olhou a sério para a Cinderela e, achando-a muito simpática, disse que não era senão justo que ela também tentasse, e que ele tinha ordens para deixar que todas experimentassem.
Ele fez com que a Cinderela se sentasse e, colocando a sandália em seu pé, descobriu que calçava muito facilmente, servindo nela como se tivesse sido feita de cera. Suas duas irmãs ficaram atônita, mas o ficaram ainda mais quando a Cinderela tirou de seu bolso a outra sandália, e pôs no outro pé. Então entrou sua madrinha e tocou com sua varinha as roupas da Cinderela, tornando-as mais ricas e magníficas do que aquelas que ela tinha vestido antes.
E agora suas duas irmãs descobriram ser ela aquela fina e bela dama que elas tinham visto no baile. Elas se atiraram a seus pés implorando seu perdão por todo o mau tratamento que tinham imposto sobre ela. Cinderela as levantou e, abraçando-as, disse que as perdoava de todo o coração, e que queria que sempre a amassem.
Ela foi levada ao jovem príncipe, vestida como estava. Ele a achou ainda mais encantadora do que antes e, alguns dias depois, casou-se com ela. A Cinderela, que era tão boa quanto bonita, deu a suas duas irmãs apartamentos no palácio, e naquele mesmo dia as apresentou a dois grandes senhores da corte.
Moral: A beleza de uma mulher é um tesouro raro que sempre será admirado. A graciosidade, entretanto, não tem preço e é de valor ainda maior. É isto que a madrinha da Cinderela deu a ela quando a ensinou que deveria se comportar como uma rainha. Jovens mulheres, para ganhar o coração é mais importante a graciosidade do que um penteado bonito. É um verdadeiro presente das fadas. Sem isso nada é possível; com isso pode-se qualquer coisa.
Outra moral: Sem dúvida é uma grande vantagem ter inteligência, coragem, boas maneiras e bom senso. Estes e talentos similares vêem apenas dos céus, e é bom tê-los. Entretanto, mesmo estes podem falhar em lhe trazer sucesso sem a bênção de uma madrinha ou padrinho.


sábado, 2 de julho de 2011

Hospital psiquiátrico – O teste da banheira





Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao diretor:
- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?
Respondeu o diretor:
- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie.
De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.
- Entendi – disse o visitante – uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
- Não – respondeu o diretor – uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo.
O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?
Dedicado a todos que escolheram o balde.

“A vida tem muito mais opções…
E muitas das vezes são tão óbvias como o ralo, só falta enxergarmos…”


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Sacolas de supermercados - Os animais salvam o Planeta




Fonte: http://www.akatu.org.br/Videos#

Florestas e Homens




Fonte: http://www.akatu.org.br/Videos#

A arte de julgar os outros


A arte de julgar os outros

  A arte de julgar os outros Eram dois vizinhos. Um deles comprou um coelho para os filhos. Os filhos do outro vizinho também quiseram um animal de estimação. E os pais desta família compraram um filhote de pastor alemão. Então começa uma conversa entre os dois vizinhos: 
- Ele vai comer o meu coelho! 
- De jeito nenhum. O meu pastor é filhote. Vão crescer juntos "pegar" amizade! 
E, parece que o dono do cão tinha razão. Juntos cresceram e se tornaram amigos. Era normal ver o coelho no quintal do cachorro e vice-versa. As crianças, felizes com os dois animais. Eis que o dono do coelho foi viajar no fim de semana com a família, e o coelho ficou sozinho. 
No domingo, à tarde, o dono do cachorro e a família tomavam um lanche tranqüilamente, quando, de repente, entra o pastor alemão com o coelho entre os dentes, imundo, sujo de terra e morto. Quase mataram o cachorro de tanto agredi-lo, o cão levou uma tremenda surra! Dizia o homem: 
- O vizinho estava certo, e agora? Só podia dar nisso! 
Mais algumas horas e os vizinhos iam chegar. E agora? Todos se olhavam. O cachorro, coitado, chorando lá fora, lambendo os seus ferimentos. 
- Já pensaram como vão ficar as crianças? 
Não se sabe exatamente quem teve a idéia, mas parecia infalível: 
- Vamos lavar o coelho, deixá-lo limpinho, depois a gente seca com o secador e o colocamos na sua casinha. E assim fizeram. 
Até perfume colocaram no animalzinho. Ficou lindo, parecia vivo, diziam as crianças. 
Logo depois eles ouvem os vizinhos chegarem. Notam os gritos das crianças. 
- Descobriram! 
Não passaram cinco minutos e o dono do coelho veio bater à porta, assustado. Parecia que tinha visto um fantasma. 
- O que foi? Que cara é essa? 
- O coelho, o coelho... 
- O que tem o coelho? 
- Morreu! 
- Morreu? Ainda hoje à tarde parecia tão bem. 
- Morreu na sexta-feira! 
- Na sexta? 
- Foi. Antes de viajarmos, as crianças o enterraram no fundo do quintal e agora reapareceu! 

A história termina aqui. O que aconteceu depois fica para a imaginação de cada um de nós. Mas o grande personagem desta história, sem dúvida alguma, é o cachorro. Imagine o coitado, desde sexta-feira procurando em vão pelo seu amigo de infância. Depois de muito farejar, descobre seu amigo coelho morto e enterrado. O que faz ele? Provavelmente com o coração partido, desenterra o amigo e vai mostrar para seus donos, imaginando o fizessem ressuscitá-lo. E o ser humano continua julgando os outros. 
Outra lição que podemos tirar desta história é que o homem tem a tendência de julgar os fatos sem antes verificar o que de fato aconteceu. Quantas vezes tiramos conclusões erradas das situações e nos achamos donos da verdade? Histórias como essa, são para pensarmos bem nas atitudes que tomamos. Às vezes fazemos o mesmo.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

DECRETO Nº 57050 DE 08 DE JUNHO DE 2011 - SUSPENDE O EXPEDIENTE NAS REPARTIÇÕES PÚBLICAS ESTADUAIS NO DIA 24 DE JUNHO DE 2011


Suspende o expediente nas repartições públicas estaduais no dia 24 de junho de 2011e dá providências correlatas
GERALDO ALCKMIN, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,
Considerando que a suspensão do expediente nas repartições públicas estaduais no próximo dia 24 de junho se revela conveniente à Administração Estadual e ao servidor público; e
Considerando que o fechamento das repartições públicas estaduais deverá ocorrer sem redução das horas de trabalho semanal a que os servidores públicos estaduais estão obrigados nos termos da legislação vigente,
Decreta:
Artigo 1º - Fica suspenso o expediente das repartições públicas estaduais no dia 24 de junho de 2011 - sexta-feira.
Artigo 2º - Em decorrência do disposto no artigo 1º deste decreto, os servidores deverão compensar as horas não trabalhadas, à razão de 1 (uma) hora diária, a partir do dia 13 de junho deste ano, observada a jornada de trabalho a que estiverem sujeitos.
§ 1º - Caberá ao superior hierárquico determinar, em relação a cada servidor, a compensação a ser feita de acordo com o interesse e a peculiaridade do serviço.
§ 2º - A não compensação das horas de trabalho acarretará os descontos pertinentes ou, se for o caso, falta ao serviço no dia sujeito à compensação.
Artigo 3º - As repartições públicas que prestam serviços essenciais e de interesse público, que tenham o funcionamento ininterrupto, terão expediente normal no dia mencionado no artigo 1º deste decreto.
Artigo 4º - Caberá às autoridades competentes de cada Secretaria de Estado e da Procuradoria Geral do Estado fiscalizar o cumprimento das disposições deste decreto.
Artigo 5º - Os dirigentes das Autarquias Estaduais e das Fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público poderão adequar o disposto neste decreto às entidades que dirigem.
Artigo 6º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.

UBUNTU

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), nos presenteou com um caso de uma tribo na África chamada Ubuntu.


Ela contou que um antropólogo estava estudando os usos e costumes da tribo e, quando terminou seu trabalho, teve que esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto de volta pra casa. Sobrava muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo; então, propôs uma brincadeira pras crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas na cidade, botou tudo num cesto bem bonito com laço de fita e tudo e colocou debaixo de uma árvore. Aí ele chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam sair correndo até o cesto, e a que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças se posicionaram na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "Já!", instantaneamente todas as crianças se deram as mãos e saíram correndo em direção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e a comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque elas tinham ido todas juntas se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconcertado! Meses e meses trabalhando nisso, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade,essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

Atente para o detalhe: porque SOMOS, não pelo que temos...

UBUNTU PRA VOCÊ!


Fonte: Recebido por email

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Cálculo divertido

Tem coisas que nem Pitágoras explicaria. Aí vai uma delas… Pegue uma calculadora porque não dá pra fazer de cabeça…


1 – Digite os 4 primeiros numeros de seu telefone (não vale número de celular);
2 – multiplique por 80.
3 – some 1.
4 – multiplique por 250.
5 – some com os 4 últimos números do mesmo telefone.
6 – some com os 4 últimos números do mesmo telefone de novo.
7 – diminua 250.
8 – divida por 2.

Reconhece o resultado???????

É O NÚMERO COMPLETO DE SEU TELEFONE

O Romance do Pavão Misterioso - José Camelo de Melo



1
Eu vou contar uma história
De um pavão misterioso
Que levantou vôo na Grécia
Com um rapaz corajoso
Raptando uma condessa
Filha de um conde orgulhoso.
3
O velho turco era dono
Duma fábrica de tecidos
Com largas propriedades
Dinheiro e bens possuídos
Deu de herança a seus filhos
Porque eram bem unidos.

5
Um dia João Batista
Pensou pela vaidade
E disse a Evangelista:
– Meu mano eu tenho vontade
de visitar o estrangeiro
se não te deixar saudade.

7
Respondeu Evangelista:
– Vai que eu ficarei
regendo os negócios
como sempre eu trabalhei
garanto que nossos bens
com cuidado zelarei.

9
João Batista prometeu
Com muito boa intenção
De comprar um objeto
De gosto de seu irmão
Então tomou um paquete
E seguiu para o Japão.

11
João Batista entrou na Grécia
Divertiu-se em passear
Comprou passagem de bordo
E quando ia embarcar
Ouviu um grego dizer
Acho bom se demorar.

13
– Mora aqui nesta cidade
um conde muito valente
mais soberbo do que Nero
pai de uma filha somente
é a moça mais bonita
que há no tempo presente

15
– De ano em ano essa moça
bota a cabeça de fora
para o povo adorá-la
no espaço de uma hora
para ser vista outra vez
tem um ano de demora.

17
Os estrangeiros têm vindo
Tomarem conhecimento
Amanhã quando ela aparece
No grande ajuntamento
É proibido pedir-se
A mão dela em casamento.

19
Logo no segundo dia
Creuza saiu na janela
Os fotógrafos se vexaram
Tirando o retrato dela
Quando inteirou uma hora
Desapareceu a donzela.

21
O fotógrafo respondeu:
– Lhe custa um conto de réis
João Batista ainda disse:
– Eu compro até por dez
se o dinheiro não der
empenharei os anéis.

23
Então disse Evangelista:
– Meu mano vá me contando
se viste coisas bonitas
onde andaste passeando
o que me traz de presente
vá logo entregando.
2
Residia na Turquia
Um viúvo capitalista
Pai de dois filhos solteiros
O mais velho João Batista
Então o filho mais novo
Se chamava Evangelista.

4
Depois que o velho morreu
Fizeram combinação
Porque o tal João Batista
Concordou com o seu irmão
E foram negociar
Na mais perfeita união.

6
– Olha que nossa riqueza
se acha muito aumentada
e dessa nossa fortuna
ainda não gozei nada
portanto convém qu'eu passe
um ano em terra afastada.

8
– Quero te fazer um pedido:
procure no estrangeiro
um objeto bonito
só para rapaz solteiro;
traz para mim de presente
embora custe dinheiro.

10
João Batista no Japão
Esteve seis meses somente
Gozando daquele império
Percorreu o Oriente
Depois voltou para a Grécia
Outro país diferente.

12
João Batista interrogou:
– Amigo fale a verdade
por qual motivo o senhor
manda eu ficar na cidade?
Disse o grego: – Vai haver
Uma grande novidade.

14
– É a moça em que eu falo
Filha do tal potentado
O pai tem ela escondida
Em um quarto de sobrado
Chama-se Creuza e criou-se
Sem nunca ter passeado.

16
O conde não consentiu
Outro homem educá-la
Só ele como pai dela
Teve o poder de ensiná-la
E será morto o criado
Que dela ouvir a fala.

18
Então disse João Batista
– Agora vou me demorar
pra ver essa condessa
estrela desse lugar
quando eu chegar à Turquia
tenho muito o que contar.

20
João Batista viu depois
Um retratista vendendo
Alguns retratos de Creuza
Vexou-se e foi dizendo:
– Quanto quer pelo retrato
porque comprá-lo pretendo.

22
João Batista voltou
Da Grécia para a Turquia
E quando chegou em Meca
Cidade em que residia
Seu mano Evangelista
Banqueteou o seu dia.

24
Respondeu João Batista:
– Para ti trouxe um retrato
de uma condessa da Grécia
moça que tem fino trato
custou-me um conto de réis
ainda achei muito barato.

25
Respondeu Evangelista
Depois duma gargalhada:
- Neste caso meu irmão
pra mim não trouxe nada
pois retrato de mulher
é coisa bastante usada.
27
João Batista retirou
O retrato de uma mala
Entregou ao rapaz
Que estava de pé na sala
Quando ele viu o retrato
Quis falar tremeu a fala.

29
Respondeu João Batista
- Creuza é muito mais formosa
do que o retrato dela
em beleza é preciosa
tem o corpo desenhado
por uma mão milagrosa.

31
Respondeu Evangelista
- Pois meu irmão eu te digo
vou sair do país
não posso ficar contigo
pois a moça do retrato
deixou-me a vida em perigo.

33
- Teu conselho não me serve
estou impressionado
rapaz sem moça bonita
é um desaventurado
se eu não me casar com Creuza
findo meus dias enforcado.

35
Deram o balanço no dinheiro
Só três milhões encontraram
Tocou dois a Evangelista
Conforme se combinaram
Com relação ao negócio
Da firma se desligaram.

37
Logo que chegou na Grécia
Hospedou-se Evangelista
Em um hotel dos mais pobres
Negando assim sua pista
Só para ninguém saber
Que era um capitalista.

39
Os hotéis já se achavam
Repletos de passageiros
Passeavam pelas praças
Os grupos de cavalheiros
Havia muito fidalgos
Chegado dos estrangeiros.

41
Quando Evangelista viu
O brilho da boniteza
Disse: - Vejo que meu mano
Quis me falar com franqueza
Pois esta gentil donzela
É rainha de beleza.

43
No outro dia saiu
Passeando Evangelista
Encontrou-se na cidade
Com um moço jornalista
Perguntou se não havia
Naquela praça um artista.

45
Evangelista entrou
Na casa do engenheiro
Falando em língua grega
Negando ser estrangeiro
Lhe propôs um bom negócio
Lhe oferecendo dinheiro.

47
Respondeu-lhe Edmundo
- Na arte não tenho medo
mas vejo que o amigo
quer um negócio em segredo
como precisa de mim
conte-me lá o enredo.
26
- Sei que tem muitos retratos
mas como o que eu trouxe não
vais agora examiná-lo
entrego em tua mão
quando vires a beleza
mudará de opinião.

28
Evangelista voltou
Com o retrato na mão
Tremendo quase assustado
Perguntou ao seu irmão
Se a moça do retrato
Tinha aquela perfeição.

30
João Batista perguntou
Fazendo ar de riso:
- Que é isso, meu irmão
queres perder o juízo?
Já vi que este retrato
Vai te causar prejuízo.

32
João Batista falou sério:
- Precipício não convém
de que te serve ir embora
por este mundo além
em procura de uma moça
que não casa com ninguém.

34
- Vamos partir a riqueza
que tenho a necessidade
dá balanço no dinheiro
porque eu quero a metade
o que não posso levar
dou-te de boa vontade.

36
Despediu-se Evangelista
Abraçou o seu irmão
Chorando um pelo outro
Em triste separação
Seguindo um para a Grécia
Em uma embarcação.

38
Ali passou oito meses
Sem se dar a conhecer
Sempre andando disfarçado
Só para ninguém saber
Até que chegou o dia
Da donzela aparecer.

40
As duas horas as tarde
Creuza saiu à janela
Mostrando a sua beleza
Entre o conde e a mãe dela
Todos tiraram o chapéu
Em continência à donzela.

42
Evangelista voltou
Aonde estava hospedado
Como não falou com a moça
Estava contrariado
Foi inventar uma idéia
Que lhe desse resultado.

44
Respondeu o jornalista:
- Tem o doutor Edmundo
na rua dos Operários
é engenheiro profundo
para inventar maquinismo
é ele o maior do mundo.

46
Assim disse Evangelista:
- Meu engenheiro famoso
primeiro vá me dizendo
se não é homem medroso
porque eu quero custar
um negócio vantajoso

48
- Eu amo a filha do conde
a mais formosa mulher
se o doutor inventar
um aparelho qualquer
que eu possa falar com ela
pago o que o senhor quiser.

49
– Eu aceito o seu contrato
mas preciso lhe avisar
que eu vou trabalhar seis meses
o senhor vai esperar
é obra desconhecida
que agora vou inventar.
51
Enquanto Evangelista
Impaciente esperava
O engenheiro Edmundo
Toda noite trabalhava
Oculto em sua oficina
E ninguém adivinhava.

53
Movido a motor elétrico
Depósito de gasolina
Com locomoção macia
Que não fazia buzina
A obra mais importante
Que fez em sua oficina.

55
Quando Edmundo findou
Disse a Evangelista:
– Sua obra está perfeita
ficou com bonita vista
o senhor tem que saber
que Edmundo é artista.

57
Foram experimentar
Se tinha jeito o pavão
Abriram a lavanca e chave
Encarcaram num botão
O monstro girou suspenso
Maneiro como balão.

59
Então disse o engenheiro:
– Já provei minha invenção
fizemos a experiência
tome conta do pavão
agora o senhor me paga
sem promover discussão.

61
Edmundo ainda deu-lhe
Mais uma serra azougada
Que serrava caibro e ripa
E não fazia zuada
Tinha os dentes igual navalha
De lâmina bem afiada.

63
À meia-noite o pavão
Do muro se levantou
Com as lâmpadas apagadas
Como uma flecha voou
Bem no sobrado do conde
Na cumeeira pousou.

65
Chegou no quarto de Creuza
Onde a donzela dormia
Debaixo do cortinado
Feito de seda amarela
E ele para acordá-la
Pôs a mão na testa dela.

67
Então Creuza deu um grito:
– Papai um desconhecido
entrou aqui no meu quarto
sujeito muito atrevido
venha depressa papai
pode ser algum bandido.

69
De um lenço enigmático
Que quando Creuza gritava
Chamando o pai dela
Então o moço passava
Ele no nariz da moça
Com isso ela desmaiava.

71
Ajeitou os caibros e ripas
E consertou o telhado
E montando em seu pavão
Voou bastante vexado
Foi esconder o aparelho
Aonde foi fabricado.
50
– Quer o dinheiro adiantado?
Eu pago neste momento
– Não senhor, ainda é cedo
quando terminar o invento
é que eu digo o preço
quanto custa o pagamento.

52
O grande artista Edmundo
Desenhou nova invenção
Fazendo um aeroplano
De pequena dimensão
Fabricado de alumínio
Com importante armação.

54
Tinha cauda como leque
As asas como pavão
Pescoço, cabeça e bico
Lavanca, chave e botão
Voava igualmente ao vento
Para qualquer direção.

56
– Eu fiz o aeroplano
da forma de um pavão
que arma e se desarma
comprimindo em um botão
e carrega doze arroba
três léguas acima do chão.

58
O pavão de asas abertas
Partiu com velocidade
Coroando todo o espaço
Muito acima da cidade
Como era meia noite
Voaram mesmo à vontade.

60
Perguntou Evangelista:
– Quanto custa o seu invento?
– Dê me cem contos de réis
acha caro o pagamento
o rapaz lhe respondeu:
Acho pouco dou duzentos.

62
Então disse o jovem turco:
– Muito obrigado fiquei
do pavão e dos presentes
para lutar me armei
amanhã a meia-noite
com Creuza conversarei.

64
Evangelista em silêncio
Cinco telhas arredou
Um buraco de dois palmos
Caibros e ripas serrou
E pendurado numa corda
Por ela escorregou.

66
A donzela estremeceu
Acordou no mesmo instante
E viu um rapaz estranho
De rosto muito elegante
Que sorria para ela
Com um olhar fascinante.

68
O rapaz lhe disse: – Moça
Entre nós não há perigo
Estou pronto a defendê-la
Como um verdadeiro amigo
Venho é saber da senhora
Se quer casar-se comigo.

70
O jovem puxou o lenço
Ao nariz da moça encostou
Deu uma vertigem na moça
De repente desmaiou
E ele subiu na corda
Chegando em cima tirou.

72
O conde acordou aflito
Quando ouviu essa zuada
Entrou no quarto da filha
Desembainhou a espada
Encontrou-a sem sentido
Dez minutos desmaiada.

73
Percorreu todos os cantos
Com a espada na mão
Berrando e soltando pragas
Colérico como um leão
Dizendo: – Aonde encontrá-lo
Eu mato esse ladrão.
75
Disse o conde: – Nesse caso
Tu já estás a sonhar
Moça de dezoito anos
Já pensando em se casar
Se aparecer casamento
Eu saberei desmanchar.

77
E Creuza estava deitada
Dormindo o sono inocente
Seus cabelos como um véu
Que enfeitava puramente
Como um anjo de terreal
Que tem lábios sorridentes.

79
A moça interrogou-o
Disse: – Quem é o senhor
Diz ele: – Sou estrangeiro
Lhe consagrei grande amor
Se não fores minha esposa
A vida não tem valor.

81
Como eu lhe tenho amizade
Me arrisco fora de hora
Moça não me negue o sim
A quem tanto lhe adora!
Creuza aí gritou: – Papai
Venha ver o homem agora.

83
Ouviu-se tocar a corneta
E o brado da sentinela
O conde se dirigiu
Para o quarto da donzela
Viu a filha desmaiada
Não pode falar com ela.

85
– Minha filha, eu já pensei
em um plano bem sagaz
passa essa banha amarela
na cabeça desse audaz
só assim descobriremos
esse anjo ou satanás.

87
Evangelista também
Desarmou seu pavão
A cauda, a capota, o bico
Diminuiu a armação
Escondeu o seu motor
Em um pequeno caixão.

89
Já era a terceira vez
Que Evangelista entrava
No quarto que a condessa
À noite se agasalhava
Pela força do amor
O rapaz se arriscava.

91
Evangelista sentou-se
Pôs-se a conversar com ela
Trocando o riso esperava
A resposta da donzela
Ela pôs-lhe a mão na testa
Passou a banha amarela.

93
E logo Evangelista
Voando da cumeeira
Foi esconder seu pavão
Nas folhas de uma palmeira
Disse: – Na quarta viagem
Levo essa estrangeira.

95
Disse o conde: – Minha filha
Parece que estás doente?
Sofreste algum acesso
Porque teu olhar não mente
O tal rapaz encantado
Te apareceu certamente.
74
Creuza disse: – Meu pai
Pois eu vi neste momento
Um jovem rico e elegante
Me falando em casamento
Não vi quando ele encantou-se
Porque me deu um passamento.

76
Evangelista voltou
Às duas da madrugada
Assentou seu pavão
Sem que fizesse zuada
Desceu pela mesma trilha
Na corda dependurada.

78
O rapaz muito sutil
Foi pegando na mão dela
Então a moça assustou-se
Ele garantiu a ela
Que não eram malfazejos:
– Não tenha medo donzela.

80
Mas Creuza achou impossível
O moço entrar no sobrado
Então perguntou a ele
De que jeito tinha entrado
E disse: – Vai me dizendo
Se és vivo ou encantado.

82
Ele passou-lhe o lenço
Ela caiu sem sentido
Então subiu na corda
Por onde tinha descido
Chegou em cima e disse:
– O conde será vencido.

84
Até que a moça tornou
Disse o conde: – É um caso sério
Sou um fidalgo tão rico
Atentado em meu critério
Mas nós vamos descobrir
O autor do mistério.

86
– Só sendo uma visão
que entra neste sobrado
só chega à meia-noite
entra e sai sem ser notado
se é gente desse mundo
usa feitiço encantado.

88
Depois de sessenta dias
Alta noite em nevoeiro
Evangelista chegou
No seu pavão bem maneiro
Desceu no quarto da moça
A seu modo traiçoeiro.

90
Com um pouco a moça acordou
Foi logo dizendo assim:
– Tu tens dito que me amas
com um bem-querer sem fim
se me amas com respeito
te senta juntos de mim.

92
Depois Creuza levantou-se
Com vontade de gritar
O rapaz tocou-lhe o lenço
Sentiu ela desmaiar
Deixou-a com uma síncope
Tratou de se retirar.

94
Creuza então passou o resto
Da noite mal sossegada
Acordou pela manhã
Meditava e cismada
Se o pai não perguntasse
Ela não dizia nada.

96
E Creuza disse: – Papai
Eu cumpri o seu mandado
O rapaz apareceu-me
Mas achei-o delicado
Passei-lhe a banha amarela
E ele saiu marcado.

97
O conde disse aos soldados
Que a cidade patrulhassem
Tomassem os chapéus de
Quem nas ruas encontrassem
Um de cabelo amarelo
Ou rico ou pobre pegassem.
99
Os soldados lhe disseram:
– Cidadão não estremeça
está preso a ordem do conde
e é bom que não se cresça
vai a presença do conde
se é homem não esmoreça.

101
Evangelista respondeu:
– Também me faça um favor
enquanto vou me vestir
minha roupa superior
na classe de homem rico
ninguém pisa meu valor.

103
Seguiu logo Evangelista
Conversando com o guarda
Até que se aproximaram
Duma palmeira copada
Então disse Evangelista:
– Minha roupa está trepada.

105
Evangelista subiu
Pôs um dedo no botão
Seu monstro de alumínio
Ergueu logo a armação
Dali foi se levantando
Seguiu voando o pavão.

107
Então mandaram subir
Um soldado de coragem
Disseram: – Pegue na perna
Arraste com a folhagem
Está passando na hora
De voltarmos da viagem.

109
Voltaram e disseram ao conde
Que o rapaz tinham encontrado
Mas no olho de uma palmeira
O moço tinha voado
Disso o conde: – Pois é o cão
Que com Creuza tem falado.

111
Disse Creuza: – Ora papai
Me prive da liberdade
Não consente que eu goze
A distração da cidade
Vivo como criminosa
Sem gozar a mocidade.

113
– O rapaz que me amou
só queria vê-lo agora
para cair nos seus pés
como uma infeliz que chora
embora que eu depois
morresse na mesma hora.

115
Às quatro da madrugada
Evangelista desceu
Creuza estava acordada
Nunca mais adormeceu
A moça estava chorando
O rapaz lhe apareceu.

117
O rapaz disse: – Menina
A mim não fizeste mal
Toda a moça é inocente
Tem seu papel virginal
Cerimônia de donzela
É uma coisa natural.

119
– Se o senhor é homem sério
e comigo quer casar
pois tome conta de mim
aqui não quero ficar
se eu falar em casamento
meu pai manda me matar.
98
Evangelista trajou-se
Com roupa de alugado
Encontrou-se com a patrulha
O seu chapéu foi tirado
Viram o cabelo amarelo
Gritaram: – Esteja intimado!

100
– Você hoje vai provar
por sua vida responde
como é que tem falado
com a filha do nosso conde
quando ela lhe procura
onde é que se esconde.

102
Disseram: – Pode mudar
Sua roupa de nobreza
A moça bem que dizia
Que o rapaz tinha riqueza
Vamos ganhar umas luvas
E o conde uma surpresa.

104
E os soldados olharam
Em cima tinha um caixão
Mandaram ele subir
E ficaram de prontidão
Pegaram a conversar
Prestando pouca atenção.

106
E os soldados gritaram:
– Amigo, o senhor se desça
deixe de tanta demora
é bom que não aborreça
senão com pouco uma bala
visita sua cabeça.

108
Quando o soldado subiu
Gritou: – Perdemos a ação
Fugiu o moço voando
De longe vejo um pavão
Zombou de nossa patrulha
Aquele moço é o cão.

110
Creuza sabendo da história
Chorava de arrependida
Por ter marcado o rapaz
Com banha desconhecida
Disse: – Nunca mais terei
Sossego na minha vida.

112
– Aqui não tenho direito
de falar com um criado
um rapaz para me ver
precisa ser encantado
mas talvez ainda eu fuja
deste maldito sobrado.

114
– Eu sei que para ele
não mereço confiança
quando ele vinha aqui
ainda eu tinha esperança
de sair desta prisão
onde estou desde de criança.

116
O jovem cumprimentou-a
Deu-lhe um aperto de mão
A condessa ajoelhou-se
Para pedir-lhe perdão
Dizendo: – Meu pai mandou
Eu fazer-te uma traição.

118
– Todo o seu sonho dourado
é fazer-te minha senhora
se quiseres casar comigo
te arrumas e vamos embora
senão o dia amanhece
e se perde a nossa hora.

120
– Que importa que ele mande
tropas e navios pelos mares
minha viagem é aérea
meu cavalo anda nos ares
nós vamos sair daqui
casar em outros lugares.

121
Creuza estava empacotando
O vestido mais elegante
O conde entrou no quarto
E dando um berro vibrante
Gritando: – Filha maldita
Vais morrer com o seu amante.

123
Ouviu-se o baque do conde
Porque rolou desmaiado
A última cena do lenço
Deixou-o magnetizado
Disse o moço: – Tem dez minutos
Para sairmos do sobrado.

125
Com pouco o conde acordou
Viu a corda pendurada
Na coberta do sobrado
Distinguiu uma zuada
E as lâmpadas do aparelho
Mostrando luz variada.

127
Os soldados da patrulha
Estavam de prontidão
Um disse: – Vem ver fulano
Aí vai passando um pavão
O monstro fez uma curva
Para tomar direção.
129
O conde olhou para a corda
E o buraco do telhado
Como tinha sido vencido
Pelo rapaz atilado
Adoeceu só de raiva
Morreu por não ser vingado.

131
Em casa de João Batista
Deu-se grande ajuntamento
Dando vivas ao noivado
Parabéns ao casamento
À noite teve retreta
Com visita e cumprimento.
133
Dizia o telegrama:
"Creuza vem com o teu marido
receber a tua herança
o conde é falecido
tua mãe deseja ver
o genro desconhecido."

135
De manhã quando os noivos
Acabaram de almoçar
E Creuza em traje de noiva
Pronta para viajar
De palma, véu e capela
Pois só vieram casar.

137
Os noivos tomaram assento
No pavão de alumínio
E o monstro se levantou-se
Foi ficando pequenino
Continuou o seu vôo
Ao rumo do seu destino.
139
Na tarde do mesmo dia
Que o pavão foi chegado
Em casa de Edmundo
Ficou o noivo hospedado
Seu amigo de confiança
Que foi bem recompensado.

141
Disse a velha: – Minha filha
Saíste do cativeiro
Fizeste bem em fugir
E casar no estrangeiro
Tomem conta da herança
Meu genro é meu herdeiro.


Fonte: Revista Nova Escola
122
O conde rangendo os dentes
Avançou com passo extenso
Deu um pontapé na filha
Dizendo: – Eu sou quem venço
Logo no nariz do conde
O rapaz passou o lenço.

124
Creuza disse: – Eu estou pronta
Já podemos ir embora
E subiram pela corda
Até que sairam fora
Se aproximava a alvorada
Pela cortina da aurora.

126
E a gaita do pavão
Tocando uma rouca voz
O monstro de olho de fogo
Projetando os seus faróis
O conde mandando pragas
Disse a moça: – É contra nós.

128
Então dizia um soldado
– Orgulho é uma ilusão
um pai governa uma filha
mas não manda no coração
pois agora a condessinha
vai fugindo no pavão.
130
Logo que Evangelista
Foi chegando na Turquia
Com a condessa da Grécia
Fidalga da monarquia
Em casa do seu irmão
Casaram no mesmo dia.

132
Enquanto Evangelista
Gozava imensa alegria
Chegava um telegrama
Da Grécia para Turquia
Chamando a condessa urgente
Pelo motivo que havia.
134
A condessa estava lendo
Com o telegrama na mão
Entregou a Evangielista
Que mostrou ao seu irmão
Dizendo: – Vamos voltar
Por uma justa razão.

136
Diziam os convidados:
– A condessa é tão mocinha
e vestida de noiva
torna-se mais bonitinha
está com um buquê de flor
séria como uma rainha.

138
Na cidade de Atenas
Estava a população
Esperando pela volta
Do aeroplano pavão
Ou o cavalo do espaço
Que imita um avião.
140
E também a mãe de Creuza
Já esperava vexada
A filha mais tarde entrou
Muito bem acompanhada
De braço com o seu noivo
Disse: – Mamãe estou casada.

Literatura de cordel - Fonte: Revista nova escola

Bloco de Conteúdo
Língua escrita

Conteúdo
Leitura

Objetivos 
- Conhecer literatura de cordel.
- Ler por prazer.

Conteúdo
- Leitura e interpretação de cordel

Anos
4º e 5º.

Tempo estimado
Um mês.

Material necessário
Cópias do cordel O Romance do Pavão Misterioso, de José Camelo de Melo Rezende.


Flexibilização
Para alunos com deficiência auditiva
Ter um intérprete de libras em sala é muito importante para o desenvolvimento do aluno com deficiência auditiva. De qualquer modo, proponha ao aluno que sente nas carteiras da frente e fale pausadamente, articulando bem as palavras, para auxiliar aqueles capazes de fazer a leitura orofacial. Antecipe o cordel que será trabalhado na sequência para o aluno surdo e faça marcações com cores diferentes nas terminações de palavras que rimam e em palavras escritas na variedade popular (como são faladas). Preparar uma espécie de 'glossário com as palavras da língua falada e com a sua grafia na variedade padrão da Língua Portuguesa ajuda o aluno a compreender melhor a proposta do cordel. As ilustrações também contribuem para a aprendizagem desses alunos. Amplie o tempo de realização das etapas da sequência e conte com a ajuda do AEE para que o aluno trabalhe a interpretação do cordel na língua de sinais.

Desenvolvimento
1ª etapa
Prepare-se para uma conversa com a turma sobre a literatura de cordel: sua origem, o porquê do nome, seu desenvolvimento no Brasil, o preconceito que pesou sobre o gênero no passado, sua valorização nos dias de hoje etc. Em seguida, estude o cordel O Romance do Pavão Misterioso, também com a intenção de preparar a leitura em voz alta que você fará para os alunos naa 3ª etapa.

2ª etapa
Compartilhe com os estudantes as informações reunidas sobre a literatura de cordel. Informe-os de que você vai ler com eles um dos maiores clássicos do gênero – nada menos que o folheto mais vendido de todos os tempos. Caso você tenha conseguido um exemplar original, aproveite para mostrá-lo à sala, deixando que as crianças explorem a ilustração da capa. Se não conseguiu, explique que muitas obras de cordel estão disponíveis na internet e que foi de lá que saiu o texto. Em seguida, avise que você lerá em voz alta a primeira parte do cordel, mas que, no decorrer da atividade, todos poderão desempenhar esse papel.

3ª etapa
Leia em voz alta da estrofe 1 à 25. Em seguida, promova uma discussão com perguntas do tipo: na estrofe 5, o autor afirma que João Batista "pensou pela vaidade". O que isso quer dizer? Proponha que as crianças releiam as 25 estrofes e ajude-as a adequar a entonação e o ritmo da fala. Por fim, informe que, antes de cada uma das sessões de leitura que virão a seguir, elas receberão a cópia de mais uma parte do cordel para que possam preparar a leitura em casa.

4ª etapa
Na segunda sessão, trabalhe com as estrofes 26 a 42. Depois que elas forem lidas por você e pelos alunos, conduza a discussão com perguntas que estimulem a interpretação. Por exemplo: o que o autor quis dizer quando se referiu a "capitalista"? Repita o procedimento nas etapas seguintes.

5ª etapa
Sessão 3 (estrofes 43 a 62): o que a palavra "azougada" significa?

6ª etapa
Sessão 4 (estrofes 63 a 82): o que a personagem Creuza quis dizer com "se és vivo ou encantado"?

7ª etapa
Sessão 5 (estrofes 83 a 104): o que o personagem Evangelista quis dizer com "levo essa estrangeira"?

8ª etapa
Sessão 6 (estrofes 105 a 121): o que Creuza quis dizer com "um rapaz para me ver precisa ser encantado"?

9ª etapa
Sessão 7 (estrofes 122 a 141): o que as crianças acharam do fim da história?

Avaliação
Verifique se os alunos conseguiram interpretar adequadamente o cordel e analise o compromisso deles com a preparação da leitura.

Consultoria: Ana Flávia Alonço Castanho
Formadora do Projeto Entorno, de São Paulo.

Mapa Pesquisa Confiável - Artigo da Nova Escola

No início deste ano, NOVA ESCOLA promoveu encontros com um grupo de professores para entender como os docentes procuram informações para suas aulas na internet. De modo geral, os educadores recorrem a dois campeões de audiência.
O primeiro, nenhuma surpresa, é o Google, líder no ranking de sites de busca, preferido por 92% dos usuários brasileiros. O segundo é a Wikipédia, enciclopédia colaborativa que atingiu, em fevereiro deste ano, a impressionante marca de 17 milhões de verbetes (680 mil deles em português).
Em termos de abrangência e agilidade, não há como competir com esses oráculos da vida moderna. Entretanto, quando o assunto é informação confiável, é preciso tomar alguns cuidados - não apenas nesses dois sites, mas em todo o ciberespaço. A seguir, um guia com lições sobre o que, como e onde pesquisar ajuda a melhorar a qualidade de suas buscas virtuais.

1. Identificar a informação confiável
Algumas pistas que indicam se a informação é digna de crédito estão no próprio texto. A primeira delas: o autor está identificado? Se está, é sinal de que ele se responsabiliza pelo que escreveu. Verifique também se a pessoa é especialista no tema. Notoriedade não garante a veracidade, mas transmite mais respaldo ao escrito.

Quando o assunto é Educação, uma busca pelo currículo acadêmico na Plataforma Lattes ajuda a mostrar o que, de fato, o autor produziu. Outro caminho é verificar o cuidado no uso da língua. "Um site que não respeita as regras básicas do idioma demonstra desleixo com a apresentação dos dados", diz Luciana Maria Allan, diretora-técnica do Instituto Crescer, em São Paulo, entidade especializada em estratégias de aprendizagem no mundo digital.
Confira também as provas de veracidade da informação, que demonstram a autenticidade do que se diz: há relatos e testemunhos? Os entrevistados têm nome e sobrenome ou estão escondidos sob expressões como "especialistas afirmam"? Por fim, é preciso atentar à data de publicação. Mesmo acontecimentos históricos estão sujeitos a revisões e a novas descobertas, o que pode invalidar explicações antigas. 

2. Avaliar a qualidade das opiniões
Fala-se muito na necesidade de distinguir informação de opinião. Mas, na prática, essa é uma tarefa das mais difíceis, já que a linha que separa uma coisa da outra, na maioria dos textos, não existe. "Quem redige toma decisões em larga medida subjetivas, influenciadas por suas posições pessoais, seus hábitos e suas emoções", reconhece o Manual da Redação do jornal Folha de S.Paulo. Ainda assim, vale evitar textos fortemente adjetivados.

Como regra, opiniões devem estar baseadas em argumentos e evidências. Perceber os interesses do autor também é fundamental. É ingênuo pensar, por exemplo, que um fabricante de remédios trará dados imparciais sobre seus produtos. Sobre o posicionamento do autor, note o seguinte: ele se distancia das fontes com expressões como "segundo" e "de acordo com"? Abre espaço para opiniões contrárias, contestações e dúvidas sobre as conclusões? Em debates polêmicos ou em questões não plenamente desvendados pela ciência, isso é essencial.


3. Questionar o primeiro resultado do Google
Os detalhes de como o Google ranqueia os sites durante uma busca são mantidos em sigilo. Sabe-se que a lista se baseia numa fórmula com dezenas de variáveis, como o número de acessos e a quantidade de links apontando para a página. Como a confiabilidade não é uma preocupação central, algumas empresas contratam especialistas em programação para turbinar sua posição na lista.

A revista Exame de 6 de abril ilustrou essas artimanhas com um exemplo: ao digitar "cirurgia plástica" no Google, o site de Ivo Pitanguy - uma das maiores autoridades na área - aparece apenas no final da terceira página de resultados. No topo, médicos em início de carreira e empresas que financiam intervenções estéticas.
Moral da história: o primeiro nem sempre é o melhor, muito menos o mais crível. Para encontrar o que se deseja, pode ser necessário clicar em várias páginas - ou, ainda, refinar a forma como se busca a informação.

4. Extrair o máximo de sua pesquisa
O próprio Google ensina a sofisticar suas investigações. Na página inicial, se você clicar em "pesquisa avançada", encontrará opções de busca com todas as palavras digitadas, apenas no idioma escolhido, por tipo de arquivo (.doc, .pdf) e assim por diante. Na maioria das vezes, não é preciso ir tão longe. Basta digitar as palavras buscadas entre aspas - a pesquisa só trará páginas em que elas apareçam juntas.
Para dar uma ideia, os termos Educação especial, sem aspas, retornam 6 milhões de resultados. Com elas, "apenas" 1,1 milhão. Outra estratégia é filtrar os resultados pelos sites que você já sabe que são confiáveis.
A forma mais simples de fazer isso é digitar a expressão entre aspas e, em seguida, o nome do site. Por exemplo, a busca "Jean Piaget" "nova escola" retorna principalmente reportagens da revista sobre o pesquisador suíço.

5. Usar a Wikipédia com sabedoria
Não dá para ignorar a utilidade da Wikipédia, mas é preciso utilizá-la com cuidado. Como são os próprios internautas que alimentam seu conteúdo e não existe uma checagem oficial feita pelo site, pode haver informações erradas. Para se prevenir, a enciclopédia desenvolveu uma política de verificabilidade, cujo preceito principal é que os verbetes devem conter as referências de onde a informação foi tirada - revistas, jornais, periódicos científicos etc.
Quando os artigos não possuem essas citações (indicadas no fim da página como "notas e referências"), internautas podem sinalizá-los com uma marcação antes do texto: "Esta página ou seção não cita nenhuma fonte ou referência". Olho aberto para artigos com esse e outros símbolos, como "artigo controverso" (para textos excessivamente parciais) e "artigo ou seção que podem conter informações desatualizadas".
Para saber como determinado verbete chegou à sua forma atual, clique em "ver histórico", na parte superior da tela, onde estão todas as mudanças feitas no texto.


6. Recorrer a bases e fontes conhecidas
A palavra-chave aqui é a checagem da informação. Se ela está na base de dados de uma universidade ou faz parte de uma publicação acadêmica, provavelmente passou pelo crivo de especialistas no tema. Se está num meio de comunicação respeitado, passou ao menos pela checagem do editor.
Lúcio França Telles, professor da Universidade de Brasília (UnB), alerta para o uso do popular Yahoo Respostas, em que os textos dos internautas não passam por nenhuma conferência. Melhor recorrer ao Google Acadêmico, que busca resultados apenas em livros e periódicos universitários, ao Scielo e ao portal de periódicos da Capes, bibliotecas virtuais com artigos, livros, enciclopédias e obras de referência.
Para os alunos, vale indicar a respeitável Enciclopédia Britannica. Não custa lembrar ainda que, quando o assunto da busca é Educação, o nosso site é um grande aliado.




Reportagem sugerida por 3 leitoras: Liliane Silva, Salvador, BA, Márcia Genaro, São Paulo, SP, e Priscila Matrone, Extrema, MG


Fonte: http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/mapa-pesquisa-confiavel-internet-tecnologia-629250.shtml?page=1

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Texto para interpretar

A costureira das Fadas

            Depois do jantar, o príncipe levou Narizinho à casa da melhor costureira do reino. Era uma aranha de Paris, que sabia fazer vestidos lindos, lindos até não poder mais! Ela mesma tecia a fazenda, ela mesma inventava as modas.
            - Dona Aranha – disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte.
            Disse e retirou-se. Dona Aranha tomou da fita métrica e, ajudada por seis aranhinhas muito espertas, principiou a tomar as medidas. Depois teceu depressa, depressa, uma fazenda cor de rosa com estrelinhas douradas, a coisa mais linda que se possa imaginar. Teceu também peças de fita e peças de renda e de entremeio – até carretéis de linha de seda fabricou.
Monteiro Lobato, José Bento. Reinações de Narizinho.

1 – No parágrafo: “- Dona Aranha - disse o príncipe – quero que faça para esta ilustre dama o vestido mais bonito do mundo. Vou dar uma grande festa em sua honra e quero vê-la deslumbrar a corte”.

A expressão vê-la se refere a:
(A) fada
(B) Cinderela
(C) Dona Aranha
(D) Narizinho


O DISFARCE DOS BICHOS

O DISFARCE DOS BICHOS

            Você já tentou pegar um galhinho seco e ele virou bicho, abriu asas e voou? Se isso aconteceu é porque o graveto era um inseto conhecido como “bicho-pau”. Ele é tão parecido com um galhinho, que pode ser confundido com o graveto.
            Existem lagartas que se parecem com raminhos de plantas. E há grilos que imitam folhas.
            Muitos animais ficam com a cor e a forma dos lugares em que estão. Eles fazem isso para se defender dos inimigos ou capturar outros bichos que servem de alimento.
            Esses truques são chamados de mimetismo, isto é, imitação.
            O cientista inglês Henry Walter Bates foi quem descobriu o mimetismo. Ele passou 11 anos na selva Amazônica estudando os animais.

Maviael Monteiro, José. Bichos que usam disfarces para defesa. Folhinha, 6 nov. 1993. Suplemento infantil do jornal Folha de São Paulo.

1 – O bicho-pau se parece com:
(A) florzinha seca
(B) folhinha verde
(C) galhinho seco
(D) raminho de planta

2 – Mimetismo é o mesmo que:
(A) imitação
(B) selva Amazônica
(C) cor e forma
(D) estudo dos animais

3 – Henry Walter Bates era
(A) brasileiro
(B) inglês
(C) amazonense
(D) português

Texto para interpretar

TALITA

            Talita tinha a mania de dar nomes de gente aos objetos da casa, e tinham de ser nomes que rimassem. Assim, por exemplo, a mesa era para Talita, Dona Teresa, a poltrona era Vó Gordona, o armário era o Doutor Mário. A escada era Dona Ada, a escrivaninha era Tia Sinhazinha, a lavadora era Prima Dora, e assim por diante.
            Os pais de Talita achavam graça e topavam a brincadeira. Então, podiam-se ouvir conversas do tipo:
            - Filhinha, quer trazer o jornal que está em cima da Tia Sinhazinha!
            - É pra já, papai. Espere sentado na Vó Gordona, que eu vou num pé e volto noutro.
            Ou então:
            - Que amolação, Prima Dora está entupida, não lava nada! Precisa chamar o mecânico.
            - Ainda bem que tem roupa limpa dentro do Doutor Mário, né, mamãe?
            E todos riam.

Belinki, Tatiana. A operação do Tio Onofre: uma história policial. São Paulo: Ática, 1985.

1 – A mania de Talita de dar nome de gente aos objetos da casa demonstra que ela é:
(A) curiosa
(B) exagerada
(C) estudiosa
(D) criativa

2 – Complete a tabela escrevendo o objeto ou o nome dado por Talita

Dona Teresa


Armário

Poltrona
Tia Sinhazinha

Dona Ada


Lavadora      .