Mostrando postagens com marcador Migração e imigração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Migração e imigração. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Isso é Brasil


Lucia Sauerbronn
O Japonês da tinturaria batia ponto toda terça-feira de manhã lá em casa. Tivesse ou não roupa para lavar.
O Português da padaria era legal comigo. Gostava de conversar enquanto cuidava do caixa e sempre me dava umas balinhas de mel, que eu adorava.
Do outro lado da rua, tinha o Judeu da sapataria, que um dia me salvou das rodas de um carro. Ele teve câncer de garganta, por isso vendeu a sapataria para o Turco, que era chaveiro.
Quando faltava alguma coisa na cozinha, minha mãe mandava eu dar um pulo na mercearia do Italiano.
Se sobrasse troco, às vezes me deixava comer o pastel do Chinês ou uma esfiha no Árabe.
Se desse sorte, talvez ainda sobrasse um dinheirinho para me lambuzar com uma torta de creme na doceria do Alemão.
Eu costumava brincar na casa das Espanholinhas. Elas moravam em cima da loja de tecidos dos pais.
Na mesma rua ficava a borracharia do Negão, cuja filha era imbatível nas partidas de vôlei.
Eu não desgrudava da Japa, dona de uns lindos olhos puxados.
A Índia, que nunca mais vi, também estudou comigo e deve ter se tornado uma morena de cair o queixo.
Mais tarde casei com o Ruivo. Quando meus filhos nasceram com a cara do pai, passei a ser apontada como a mãe dos Enferrujadinhos.
Criança, eu era a Branca de Neve. Por sinal, o mesmo apelido do melhor jogador de pelada da rua. Por motivos opostos.
Todos tivemos amigos conhecidos por Baixinho, Boca, Bola 7, Girafa, Cabeção, Bolota, Dumbo, Tampa, Galocha, Pé Grande. As relações eram mais simples. Ninguém ficava chateado por ser identificado pela origem, cor, característica física, personalidade ou profissão.
Apelidos eram comuns. Não causavam trauma nem mágoa. Não embutiam maldade nem preconceito.
Hoje tudo isso seria absurdo. Politicamente incorreto. É claro que acho justo tomar cuidado com as palavras para não ferir ninguém. Mas palavras são menos perigosas do que pensamentos e atitudes.
Preconceito é impedir as pessoas de viver onde elas desejam, circular por onde bem entenderem, ter a profissão que escolherem e os mesmos direitos de qualquer cidadão.
Nos anos 70, era moda ter o corpo bronzeado. As meninas passavam horas tostando no sol. Eu poderia considerar uma ofensa ser chamada de Branca de Neve. Mas eu era branca como a neve! Sobrevivi ao apelido, sem ter vergonha de mim mesma.
Eu me sentiria ofendida, sim, se, ao invés de um curto e auto-explicativo Branca de Neve, passasse a ser chamada de euro-descendente. Pura hipocrisia. A expressão embute a intenção de não ofender. E isso é que é prá lá de preconceituoso.
O Brasil foi formado por portugueses, índios e escravos. No século passado, recebeu, de braços abertos, imigrantes de muitas outras origens. Convivemos com as diferenças. Aprendemos com elas e fomos esquecendo equívocos de um passado do qual não podemos ser culpados e que cada vez fazem menos sentido.
Em muitos países, o preconceito de raça e credo gera ódio, humilhação, disputas e guerras que não têm mais fim. Aqui as raças se misturaram. Em breve seremos todos mulatos. Brasileiros, graças a Deus.
Crônica publicada na Coop Revista - Abril / 2.007

MIGRAÇÃO E IMIGRAÇÃO

(...)
O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lá.
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena:
Adeus, Ceará!

No dia seguinte,
Já tudo enfadado,
E o carro embalado,
Veloz a corrê,
Tão triste, coitado,
Falando saudoso
Seu filho choroso
Excrama a dizê:

- De pena e sodade,
Papai sei que morro!
Meu pobre cachorro
Quem dá de comê?
Já ôto pergunta:
- Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato,
Mimi vai morrê!


E a linda pequena
Tremendo de medo:
- Mamãe, meus brinquedo!
Meu pé de fulô!
Meu pé de rosêra,
Coitado, ele seca!
E a minha boneca
Também lá ficou
(...)


Patativa do Assaré.
Canção citada em Hélder Pinheiro.
Cordel na sala de aula. São Paulo: Duas cidades, 2001.


Imigrante – é aquele que entra num país estranho, para nele viver, em busca de melhorias para sua vida.

Migrante – é aquele que sai de seu lugar, Estado ou região e vai para outro em busca de alguma coisa.

Muitos brasileiros saíram dos campos em direção às cidades. Estes são os migrantes.
Em nosso país, uma multidão de brasileiros se desloca, mudando de um lugar para outro, de norte a sul, de leste a oeste, para todo o país.

AS PESSOAS MIGRAM POR DIFERENTES REGIÕES

As pessoas mudam de uma cidade para outra para trabalhar em um novo emprego ou estudar.
As pessoas buscam livrar-se da pobreza e, muitas vezes, da fome.
Muitos empresários, migram à procura de grandes terras para o cultivo do algodão, da soja, ou criação de gado e outros animais. Muitos fazendeiros também migram à procura de terras férteis para o cultivo de frutas, verduras e legumes.

A MARCHA DO IMIGRANTE

“(...) Não teve flores nunca o teu caminho
E nem teu céu foi sempre todo azul
Mas foi sincero, sempre, o teu carinho
Com a terra virgem dos rincões do sul.
Da pátria antiga te restou saudade
Um novo mundo viu costumes teus. (...)”
Danilo Silva

Após a chegada dos portugueses no Brasil, foram usados o trabalho escravo dos índios e africanos, pois as terras ainda precisavam de pessoas para explorar este país tão grande e rico.
Para atrair outros povos para o Brasil (italianos, japoneses, espanhóis e outros...), eles faziam falsas promessas como propaganda. Promessas como: distribuição de terras, casas e transporte para a produção de lavouras de café, cana-de-açúcar e criação de gado.
Ao chegar ao Brasil, esses imigrantes passaram necessidades e trabalharam como escravos para os grandes fazendeiros e empresários. Não conseguiram ter uma vida estável e nem tinham condições de voltar para sua terra natal.

AS NOVAS INFLUÊNCIAS QUE VIERAM PARA O BRASIL: ITALIANOS, JAPONESES E ALEMÃS

Esses povos começaram a vir para o Brasil no século XIX com seus costumes e seu trabalho. Esses povos ajudaram a construir o Brasil. Esses povos ajudaram a construir o Brasil que conhecemos.
Até o ano de 1930, cerca de 4 milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil. Uma vez em solo brasileiro, eles seguiram para localidades distintas, desde a Amazônia até os campos do Rio Grande do Sul. E a cada lugar para onde foram tiveram de se adaptar aos costumes locais.
Ao final de alguns anos, o Brasil já havia mudado: além de uma população maior, novas cidades foram fundadas e a cultura do país foi enriquecida pelas contribuições desses novos imigrantes.

PARA NÃO ESQUECER:
IMIGRANTE – Pessoa que entra num país com o objetivo de morar nele.
EMIGRANTE – Pessoa que sai de seu país de origem.

A maioria dos imigrantes alemães, italianos e japoneses ao chegar ao Brasil trabalharam na exploração de minérios, no cultivo da cana-de-açúcar e plantação de café. O trabalho era muito duro e não recebiam o suficiente para o seu sustento e de sua família.
Mesmo com a vida bem mais difícil que a que levavam em seus países de origem, muitos desses imigrantes conseguiram vencer, prosperar e fazer com que o Brasil crescesse economicamente junto com eles.
Hoje nós temos influencias não só de alemães, japoneses e italianos, mas de muitos outros povos que fizeram e fazem o nosso país crescer, se desenvolver cada vez mais. Por isso é que o Brasil é chamado do país da miscigenação.

ATIVIDADES

01. Responda:

a) O que você entendeu por imigrantes?
b) E migrantes, o que é?
c) Por que as pessoas migram de um lugar para outro? Comente.
d) E os imigrantes, por que e para que vieram para o nosso país?
e) O que você entendeu do poema “A marcha do imigrante”?
f) Que povos vieram para o Brasil trazendo novas influências?
g) Em que século começaram a chegar esses povos?
h) Que localidades foram ocupadas pelos imigrantes?
i) O que aconteceu com o Brasil após a chegada dos imigrantes?
j) Os imigrantes trabalharam em quê?
k) Por que o Brasil é chamado de “o país da miscigenação”?